Planejamento insurgente e ação coletiva: o caso do Poço da Draga em Fortaleza
Palabras clave:
planejamento urbano, práticas insurgentes, cidadania urbana, território, direito à cidade.Resumen
Este artigo discute as possibilidades e os desafios de práticas insurgentes de moradores urbanos, diante das disputas por poder de decisão. Essa problematização considera que grande parte das deliberações de produção do espaço acontecem no âmbito das práticas institucionais, implementadas por órgãos de planejamento, sancionadas pelo Estado e a serviço de interesses privados. O artigo aponta aspectos da resistência da comunidade Poço da Draga, em Fortaleza, frente à forma antidemocrática de condução das decisões que afetam os moradores. A pesquisa utiliza métodos de observação direta para apontar alguns aspectos da relação conflitual entre as práticas do Poder Público e as práticas dos moradores. E sugere que, apesar dos entraves, a ação coletiva organizada pode questionar os processos de planejamento heterônomo.
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