A encruzilhada da Psicologia no Ensino Superior
pistas para encantar currículos embranquecidos
DOI:
https://doi.org/10.23925/2175-3520.2025i59p96-106Palavras-chave:
estudantes, ensino da psicologia, currículo, negritude, enfrentamentoResumo
Este trabalho realiza a tessitura de duas pesquisas acerca da formação em Psicologia no Brasil, tendo como cerne um comprometimento com as questões raciais presentes na esfera do curso. A primeira pesquisa se debruça sobre os currículos de Psicologia de uma Instituição de Ensino Superior (IES) do Estado do Rio de Janeiro, encruzilhando os conteúdos encontrados por meio de sua análise documental e os possíveis efeitos destes na comunidade estudantil negra da Universidade. A autora aponta que a formação em Psicologia no Brasil possui impactos diretos da hegemonia do saber científico moderno em preterir saberes afrodiaspóricos, perturbando diretamente seus estudantes, através de uma alienação intelectual. A saída para o embranquecimento epistemológico seria estratégias autênticas de afirmação da identidade negra dos discentes. A segunda pesquisa aponta a ausência de letramento racial na formação de psicólogos de uma IES privada, propondo uma psicologia que possua tal letramento como prática basilar, construindo terreno fértil para o surgimento de uma Psicologia anticolonial, afrocentrada e plural. Ao encruzilhar os trabalhos, notamos a urgência de nos deseducarmos frente às supostas certezas de um currículo embranquecido, viabilizando a ruptura com práticas alienantes e promovendo estratégias que estruturam uma Psicologia pautada na justiça social.
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