Educação
Tensões e Possibilidades na Formação de Jovens Negros(as) no Ensino Superior por meio de políticas públicas como o PROUNI
DOI:
https://doi.org/10.23925/2175-3520.2025i59p118-129Palavras-chave:
identidade, ensino superior, negritude, psicologia escolar, justiçaResumo
Este artigo analisa as tensões entre o acesso e a permanência de jovens negros no ensino superior brasileiro, evidenciando a discrepância entre a promessa jurídica de igualdade e as exclusões simbólicas vivenciadas cotidianamente. A partir da Psicologia Escolar e da Teoria da Identidade-Metamorfose, discute-se como o ingresso universitário, possibilitado pelas ações afirmativas, embora relevante, não garante, por si só, a permanência e a conclusão dos cursos. É fundamental também considerar a transformação das práticas institucionais e simbólicas. Para fundamentar o debate, utilizamos a narrativa de história de vida e de projeto de futuro de Henrique, jovem negro e homoafetivo, estudante universitário. Dessa maneira, identifica-se que a democratização do ensino superior, sem uma transformação estrutural adequada, corre o risco de reforçar desigualdades que, historicamente, constituem a sociedade brasileira. Portanto, a inclusão educacional efetiva exige o reconhecimento da pluralidade, a superação das lógicas meritocráticas e a promoção de espaços de pertencimento e dignidade. A educação, nesse contexto, é compreendida como um território de disputa simbólica e política, cuja democratização plena requer práticas comprometidas com a justiça social e a reparação histórica. Nesse sentido, a Psicologia Escolar no ensino superior deve atuar como uma prática ética, comprometida com o reconhecimento da diferença, a reparação simbólica e a promoção da justiça social.
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