Dossiê 2/2026 - Desafiadoras questões da realidade religiosa brasileira

2026-02-08

Na sociedade contemporânea, marcada pelo processo de secularização (Weber, 2015; Berger, 1984),a religião prossegue ocupando espaço importante em termos de orientação de conduta, influência política e desdobramentos econômico-institucionais, haja vista a quantidade de iniciativas com expressivas dimensões públicas ligadas a lideranças e organizações religiosas (Casanova, 1994).

Na sociedade brasileira se observa um considerável crescimento do ativismo político-religioso protagonizado por segmentos cristãos identificados, ideologicamente, com posições de direita e de extrema-direita, algo que vem sendo instrumentalizado em determinadas manifestações e disputas eleitorais, tanto para cargos legislativos, quanto executivos relevantes.

De outra parte, subsiste residualmente determinada militância religiosa marcada por valores relacionados ao ecumenismo, que reivindica legislação e políticas públicas concernentes a direitos cidadãos. Seus ativistas se remetem ainda ao papel de resistência exercido por atores religiosos, predominantemente católicos, durante o ditatura militar, entre as décadas de 1960 e 80, que compuserem o cristianismo da libertação (Mainwaring, 1989; Löwy, 2000). Atualmente, se somam a este pequeno contingente outras tradições religiosas, buscando alargar fronteiras ecumênicas em prol de algo mais amplo, chamado de diálogo inter-religioso (Teixeira, 1993

Outra faceta relevante do quadro religioso brasileiro é constituída justamente pelo crescente número de pessoas, principalmente jovens - quanto mais das grandes metrópoles - que se dizem sem religião (Novaes, 2013).