ENTRE MEMÓRIAS E CONFLITOS

A COMUNIDADE NEGRA RURAL DE HELVÉCIA E O RECONHECIMENTO COMO REMANESCENTE QUILOMBOLA

Autores

DOI:

https://doi.org/10.23925/2176-2767.2021v71p239-268

Palavras-chave:

Memória, Quilombolas, Helvécia

Resumo

O artigo se propõe a discutir as questões referentes à busca por reconhecimento quilombola, empreendida por moradores da Comunidade negra rural de Helvécia, localizada no Extremo Sul da Bahia, como forma de preservação cultural e física do espaço que ocupam. O processo de busca por reconhecimento abriu algumas fissuras no seio da comunidade, que puderam ser analisadas por intermédio das narrativas orais cedidas por alguns moradores. Dessa maneira, para a elaboração do texto, utilizou-se a História Oral como metodologia, bem como a análise de documentos e da bibliografia, o que nos permitiu discutir as questões referentes à memória coletiva, à História Oral, à escravidão negra e à resistência escrava, bem como questões referentes à luta fundiária empreendida por comunidades negras para obterem acesso à terra.

Biografia do Autor

Ramom de Jesus Moreira, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, UESB

Graduado em História pela Universidade do Estado da Bahia, Mestre em Memória: Linguagem e Sociedade pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia.

Felipe Eduardo Ferreira Marta, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, UESB e Universidade Estadual de Santa Cruz, UESC

Possui Licenciatura plena em Educação Física pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho - UNESP-Bauru (2001), Mestrado e Doutorado em História Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) 2004 e 2009 respectivamente. Pós-doutorado junto a Virginia Polytechnic Institute and State University - Virginia Tech - USA (2015). Atualmente é Professor Titular em regime de dedicação exclusiva junto ao Departamento de Ciências Naturais da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB - Vitória da Conquista) atuando como docente no Programa de Pós-Graduação em Memória: linguagem e sociedade da UESB. Atua também como docente no curso de licenciatura em Educação Física da Universidade Estadual de Santa Cruz-UESC. Tem experiência em Educação Física, com ênfase em História da Educação Física, Esporte e Lazer, investigando principalmente os seguintes temas: História, Esporte e Artes Marciais; Lazer e História; Corpo e História; e História e Oralidade. Líder do grupo de pesquisa "CORPORHIS: Corpo, história e cultura", cadastrado no diretório de grupos de pesquisa do Cnpq.

Estefânia Knotz Canguçu Fraga, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, PUCSP

Possui graduação e Especialização em História pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC.SP. ( 1963 ). É doutora em História pela PUC.SP ( 1968 ). Foi Coordenadora e Vice-Coordenadora do Programa de Pós Graduação em História da PUC.SP. em várias gestões onde também leciona e desenvolve projetos vinculados às Linhas de Pesquisa Cultura e Cidade; Cultura e Trabalho; Cultura e Representação.Foi membro da Coordenação do Lato Sensu em História da PUC.SP. Atua no Conselho Editorial da Revista Projeto História e em várias Comissões na Universidade. Participa como pesquisadora do Grupo de Pesquisa coordenado pelo prof. dr. Amilcar Torrão Filho (PUC/SP), no Programa de Pós Graduação em História , Núcleo de Estudos da Alteridade, e do Núcleo de Pesquisa coordenado pela profa. dra. Maria do Rosário da Cunha Peixoto , História, Cultura e Sociedade. É professora colaboradora no Grupo de Pesquisa coordenado pelo prof. Dr. Felipe Marta História, Memoria e Esporte, da Universidade Estadual do Oeste da Bahia. 

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Publicado

2021-09-01