MODERNISMO, REGIONALISMO E O LUGAR DO FUTEBOL NA FICÇÃO DE JOSÉ LINS DO REGO

UMA LEITURA DE ÁGUA-MÃE

Autores

  • Bernardo Borges Buarque de Hollanda Escola de Ciências Sociais (FGV CPDOC)

DOI:

https://doi.org/10.23925/2176-2767.2022v73p72-101

Palavras-chave:

Modernismo, Regionalismo, Futebol, José Lins do Rego

Resumo

O artigo inscreve a temática do futebol na história mais ampla do modernismo brasileiro, ao focar a trajetória do escritor regionalista José Lins do Rego no Rio de Janeiro dos anos 1940, quando se consagrou como romancista e, em paralelo, investiu na colaboração em jornais, por meio de uma série de crônicas esportivas. O recorte aqui proposto centra-se em um romance menos conhecido do autor, Água-mãe, e sustenta que o imaginário nacional-popular em torno da prática futebolística no país dá ensejo à inserção do assunto na ficção brasileira. Ao mesmo tempo, tal inscrição romanesca permite a renovação ficcional e a reelaboração da própria imagem do escritor, até então marcado pela paisagem regional nordestina, procurando refutar parcela da crítica literária, que o limitava à monotemática do memorialismo de sua região natal. Ao final da descrição e da análise do livro, o artigo conclui com o argumento de que a investida de José Lins do Rego em uma narrativa fictícia em torno do cenário urbano carioca e do interior fluminense, com o recurso a temas contemporâneos e ao cotidiano de então, como o futebol, mostra sua contribuição a propósitos gerais do ideário modernista, que se desdobrou e se metamorfoseou ao longo da primeira metade do século XX em distintos grupos, em diferentes correntes e em uma miríade de concepções artístico-literárias. 

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Publicado

2022-05-01