A pintura venceu o medo

Gontran Guanaes Netto entre arte, exílio e resistência

Autores

DOI:

https://doi.org/10.23925/2176-2767.2026v85p149-182

Palavras-chave:

Gontran Guanaes Netto, arte e política, trabalhadores rurais, exílio, resistência, memória coletiva

Resumo

O artigo analisa a trajetória artística e política de Gontran Guanaes Netto (1933–2017), marcada pelo compromisso com os trabalhadores rurais e com as populações historicamente oprimidas. O mosaico biográfico inicia-se na década de 1950 e adentra os anos 2000, enfatizando a ditadura civil-militar brasileira, o exílio na França, o contexto de seu entorno e o desenvolvimento de uma produção em que a estética se articula à resistência política e à defesa dos direitos humanos. O estudo examina obras realizadas no exílio e sua participação em coletivos solidários voltados à criação de Museus de Resistência, como o Museu Salvador Allende, o Museu da Palestina e o Museu Contra o Apartheid. No retorno ao Brasil, suas pinturas dedicadas aos trabalhadores rurais e os murais do acervo artístico do metrô de São Paulo reafirmaram o elo entre arte, memória e transformação social. Em sua obra, destaca-se a pintura como linguagem de resistência e instrumento de reconstrução coletiva.

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Biografia do Autor

Gisele Iggnacio, Universidade Federal da Grande Dourados - UFGD

Mestre em História do Brasil e Doutora em História Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Pesquisa pós-doutoral em História pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD).

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Publicado

2026-03-30

Como Citar

Iggnacio, G. (2026). A pintura venceu o medo: Gontran Guanaes Netto entre arte, exílio e resistência . Projeto História : Revista Do Programa De Estudos Pós-Graduados De História, 85, 149–182. https://doi.org/10.23925/2176-2767.2026v85p149-182