A produção letrada inaciana e a acomodação retórica
uma construção do lugar de memória pelos sermões seiscentistas
DOI:
https://doi.org/10.23925/2176-2767.2026v86p367-378Palavras-chave:
retórica jesuítica, cultura letrada, bahia seiscentista, colonialismo, sermões coloniaisResumo
A notícia de pesquisa trata a produção letrada jesuítica na Bahia seiscentista, tomando os sermões como dispositivos retórico-políticos que constroem lugares de memória e legitimam o colonialismo. A partir da obra Economia cristã dos senhores no governo dos escravos, de Jorge Benci, em diálogo com Cultura e opulência do Brasil por suas drogas e minas, de André João Antonil, o estudo investiga o conceito de acomodação retórica como técnica central da pregação inaciana. Fundamentado nas determinações do Concílio de Trento e na pedagogia da Companhia de Jesus, o sermão é interpretado como prática de disciplinarização dos corpos e das consciências, articulando fé, economia e política. A análise mobiliza aportes de Michel Foucault, João Adolfo Hansen, Aleida Assmann e Paul Zumthor para compreender a retórica como performance sensorial e mecanismo mnemotécnico. Demonstra-se que a palavra pregada, apoiada em imagens verbais, analogias bíblicas e composição de lugar inspirada em Inácio de Loyola, operava a naturalização moral da escravidão sob a alegoria da piedade régia. Conclui-se que a acomodação retórica benciana não apenas persuadia, mas organizava percepções, valores e subjetividades, funcionando como instrumento de governo simbólico no Império português.
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