Os alcances e limites do regime de metas de inflação no Brasil

Autores

DOI:

https://doi.org/10.23925/1806-9029.38in.1(69)74193

Palavras-chave:

Regime de Metas de Inflação, Inflação de custos, Conflito distributivo

Resumo

O Regime de Metas de Inflação foi instituído para combater uma inflação majoritariamente de demanda, pouco atuando nos fatores inflacionários de custo. Mesmo no momento de sua adoção em 1999, o modelo já mostrava diversas limitações. Atualmente, num mundo após a pandemia de COVID-19, cada vez mais os fatores de custo inflacionário se destacam, trazendo ainda mais ineficácia no combate inflacionário feito com base no Regime de Metas de Inflação, que apenas consegue reprimir a demanda econômica, em um cenário no qual fica evidente a predominância de fatores de oferta na construção inflacionária atual. Para isto, este artigo vai buscar em três sessões demonstrar a incapacidade do Regime de Metas de inflação em realizar um controle mais eficiente da inflação brasileira. Na primeira seção será feita uma breve análise teórica e crítica da lógica por trás do Regime de Metas de inflação, enquanto na segunda seção, é feita uma análise da atual formação inflacionária brasileira. Na terceira seção será realizada uma demonstração dos problemas estruturais atuais do Regime de Metas de Inflação no controle inflacionário brasileiro, e logo após, faremos nossas considerações finais sobre o que foi apresentado no trabalho.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Métricas

Carregando Métricas ...

Biografia do Autor

André Luis Campedelli, Universidade Federal de São Paulo

Professor Substituto da Escola Paulista de Política, Economia e Negócios (EPPEN) da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

Antônio Corrêa de Lacerda, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Professor Doutor do Programa de Estudos Pós-Graduados em Economia Política da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)

Referências

ARAÚJO, E. C.; MODENESI, A. M. A Importância do Setor Externo na Evolução do IPCA (1999-2010): uma análise com base em um modelo SVAR. XXXVIII Encontro Nacional de Economia, Salvador/BA, Associação Nacional dos Centros de Pós-Graduação em Economia, 2011.

BASTOS, C. P. M.; BRAGA, J. M. Conflito distributivo e inflação no Brasil: uma aplicação ao período recente. XV Encontro Nacional da Sociedade de Economia Política, São Luis/MA, Sociedade de Economia Política, 2010.

BRAGA, J. M. A inflação brasileira na década de 2000 e a importância das políticas não monetárias de controle. Revista Economia e Sociedade, Campinas, v. 22, n. 3, p. 697-727, 2013.

BRAGA, J. M.; SUMMA, R. Estimação de um modelo desagregado de inflação de custo para o Brasil. Ensaios FEE, Porto Alegre, v. 37, n. 2, p. 399-460, 2016.

CAMPEDELLI, A. L.; LACERDA, A. C. Uma crítica ao Regime de Metas de Inflação (RMI) no Brasil. Pesquisa & Debate, São Paulo, v. 25, n. 2, p. 01-22, jul./dez. 2014.

CAMPEDELLI, A. L. A formação dos preços administrados no Brasil. Brazilian Keynesian Review, São Paulo, v. 7, n. 2, p. 272-305, jul./dez. 2021.

CAMPEDELLI, A. L. A inflação brasileira: uma interpretação do fenômeno sob a ótica do conflito distributivo entre 1999 e 2018. Campinas, 2022. 152 f. Tese (Doutorado em Economia) – Universidade Estadual de Campinas.

CINTRA, M. A. M. Suave fracasso: a política macroeconômica brasileira entre 1999 e 2005. Novos Estudos, São Paulo, v. 73, p. 39-56, nov. 2005.

FONSECA, M. R. R.; ARAÚJO, E. C.; ARAÚJO, E. Não-linearidade entre câmbio e preços no Brasil e implicações para uma estratégia de desenvolvimento econômico. Revista de Economia Política, São Paulo, v. 39, n. 2, p. 263-284, abr./jun. 2019.

GIOVANNETTI, L. F.; CARVALHO, L. Distribuição de renda, mudança estrutural e inflação de serviços no Brasil. XLIII Encontro Nacional de Economia, Florianópolis/SC, Associação Nacional dos Centros de Pós-Graduação em Economia, 2015.

GOMES, L.; FREITAS, F. A Evolução do Conflito Distributivo no Brasil de 2000 a 2014: Uma Visão Multissetorial. XI Encontro Internacional da Associação Keynesiana Brasileira, Porto Alegre/RS, Associação Keynesiana Brasileira, 2018.

KALECKI, M. Teoria da dinâmica econômica. São Paulo: Abril Cultural, 1983.

LAVOIE, M. Post-Keynesian Economics: New Foundations. Cheltenham: Edward Elgar, 2014.

MARTINEZ, T. S.; CERQUEIRA, V. S. Estrutura da inflação brasileira: determinantes e desagregação do IPCA. Revista Economia & Sociedade, Campinas, v. 22, n. 2, p. 409-456, 2013.

SERRANO, F. Juros, câmbio e o sistema de metas de inflação no Brasil. Revista de Economia Política, São Paulo, v. 30, n. 1, p. 63-72, 2010.

SICSÚ, J. Políticas Não-Monetárias de Controle da Inflação: uma proposta pós-keynesiana. Análise Econômica, Porto Alegre, ano 21, n. 39, mar. 2003.

SISTEMA IBGE DE RECUPERAÇÃO AUTOMÁTICA (SIDRA). Home Page. c2025. Disponível em: http://www.sidra.ibge.gov.br.

SILVA, M. L. F. Plano Real e âncora cambial. Revista de Economia Política, São Paulo, v. 22, n. 3, p. 3-24, jul./set. 2002.

SUMMA, R. F. Uma nota sobre a relação entre salário-mínimo e inflação no Brasil a partir de um modelo de inflação de custo e conflito distributivo. Revista Economia e Sociedade, Campinas, v. 25, n. 3, p. 733-756, 2016.

Downloads

Publicado

2026-06-28

Como Citar

Campedelli, A. L., & Lacerda, A. C. de. (2026). Os alcances e limites do regime de metas de inflação no Brasil. Pesquisa & Debate Revista Do Programa De Estudos Pós-Graduados Em Economia Política, 38(1 (69), 51–63. https://doi.org/10.23925/1806-9029.38in.1(69)74193