Metafísica semiótica como exelítica heurística

Autores

  • André De Tienne

DOI:

https://doi.org/10.23925/1984-3585.2024i2930p199-217

Palavras-chave:

exelítica, evolução, biossemiótica, fisiossemiótica, teoria quântica, cosmogênese, cosmo-semiose, epistemologia, metafísica

Resumo

O termo exelítica é um neologismo criado de acordo com a terminologia do filósofo e semioticista Charles Sanders Peirce (1839-1914). Significa uma nova acepção para a ciência da evolução, do grego moderno εξέλιξη [exélixē], que significa evolução. A partir desse neologismo, este artigo pretende analisar a obra de Peirce em algumas de suas principais facetas, notadamente em sua cosmologia, posicionando-a como uma precursora de alguns dos mais avançados debates contemporâneos da biossemiótica, da fisiossemiótica e da teoria quântica. A concepção exelítica de evolução presente em Peirce conduz as investigações acerca da cosmogênese em direção a uma cosmo-semiose. Esses percursos não seriam possíveis se não recorrêssemos às potencialidades que a metafísica apresenta à ciência. Por isso, este artigo pretende demonstrar a impossibilidade de redução da metafísica à epistemologia ou a mera substituição da primeira pela segunda.

Biografia do Autor

André De Tienne

André De Tienne é filósofo, especialista em Charles Sanders Peirce sobre o qual publicou grande número de artigos e Diretor do Peirce Edition Project na Universidade de Indiana, campus de Indianapolis.

Referências

BEIL, Ralph G.; KETTNER, Kenneth L. A Triadic Theory of Elementary Particle Interactions and Quantum Computation. Lubbock, TX: Institute for Studies in Pragmaticism, 2006.

BIOSEMIOTICS, v.1, n.1, 2008ss. Dordrecht: Springer.

CATT, Isaac. Embodiment in the Semiotic Matrix: Communicology in Peirce, Dewey, Bateson, and Bourdieu. Madison, NJ: Fairleigh Dickinson University Press, 2017.

CHRISTIANSEN, Peder Voetmann. The semiotics of quantum-non-locality, Institut for studierne af Matematik og Fysik samt deres funktioner i Undervisning, Forskning og Anvendelser (IMFUFA), University of Roskilde, Paper n. 93, 1985.

CHRISTIANSEN, Peder Voetmann. Peircean local realism does not imply Bell’s inequalities. Symposium on the Foundations of Modern Physics, Joensuu, Finland, August 13-18, University of Turku, FTL-R183, 1990.

CHRISTIANSEN, Peder Voetmann. The semiotic flora of elementary particles. Roskilde Universitet, IMUFA (=Institut for Studiet af Matematik of Fysik samt deres Funktioner i Undervisning, Forskning of Anvenderser), text nr. 417-24, 2003. Disponível: thiele.ruc.dk/imfufatekster/pdf/417.pdf. Acesso: jan. 2025.

CHRISTIANSEN, Peder Voetmann. Quantum semiotic and interaction bond graphs. Disponível em: http://thiele.ruc.dk/~pvc/casys99.htm, Acesso: oct. 2024a.

CHRISTIANSEN, Peder Voetmann. Axioms of quantum semiotic, 2000. Disponível em: http://thiele.ruc.dk/~pvc/axqusem.htm, Acesso: outubro 2024.

DALELA, Ashish. Quantum meaning: A semantic interpretation of quantum theory. Duarte, CA: Shabda Press, 2014.

HOFFMEYER, Jesper; KULL, Kalevi. Baldwin and biosemiotics: What intelligence is for. In: WEBER, Bruce; DEPNEW, David (eds.). Evolution and Learning: The Balwin Effect. Cambridge, MA: MIT Press, 2002.

IBRI, Ivo. Kósmos noétos. São Paulo: Paulus, 2015.

JAROSEK, Stephen. Quantum semiotics. Journal of Nonlocality, Burnaby, v. 5, n. 1, p. 1-16, 2017. Disponível em: https://journals.sfu.ca/jnonlocality/index.php/jnonlocality/issue/view/13. Acesso: out. 2024.

LANIGAN, Richard. The Human Science of Communicology: A Phenomenology of Discourse in Foucault and Merleau-Ponty. Pittsburgh, PA: Duquesne University Press, 1992.

MÁCHAČEK, Martin. The Peircean interpretation of probability in quantum mechanics. Resumo disponível em: https://explorer.cuni.cz/publication/581626?lang=en&query=semiotic+animal, 2018.

MARGULIS, Lynn; SAGAN, Dorion. O que é vida? Tradução: Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002.

NÖTH, Winfried. Varieties of nonhuman semiosis. In: QUARESMA, A. (ed.), Artificial Intelligences: Essays on Inorganic and Nonbiological Systems, 179-192. Madrid: Global Knowledge Academics, 2018.

SEBEOK, Thomas. A sign is just a sign. Bloomington, IN: Indiana University Press, 1991.

POYTHRESS, Vern S. Semiotic analysis of the observer in relativity, quantum mechanics, and a possible theory of everything. Semiotica, Berlin, v. 205, p. 149–167, 2015.

PEIRCE, Charles Sanders. 1931–1 958. The collected papers of Charles Sanders Peirce, 8 vols., edited by Charles Hartshorne and Paul Weiss. Cambridge, MA: Harvard University Press.,1931-1958. (Referido como CP.)

PEIRCE, Charles Sanders. The essential Peirce: Selected philosophical writings. 2 vols. Houser, Nathan; Kloesel, Christian; Peirce Edition Project (Eds.). Bloomington: Indiana University Press, 1992; 1998. (Referido como EP seguindo do número do vol.)

PEIRCE, Charles S. New elements of mathematics, vols. 1-4, ed. Eisele, Carolyn. Bloomington, Indiana University Press, 1976. (Referido como NEM, seguido do no. do volume.)

PETITOT, Jean. 1985. Morphogénèse du sens. Paris: Presses Universitaires de France.

WELLS, Kelley J. The thermodynamic metaphor, overdetermination and Peirce’s commitment to realism. Transactions of the Charles Sanders Peirce Society, v. 38, n. 4, p. 899-939, out. 1997.

Downloads

Publicado

2025-03-19