A tradição luciânica numa utopia francesa do século XVII

Ana Cláudia Romano Ribeiro

Resumo


Em 1516 Thomas More publicava a Utopia, acrescentando à literatura um novo gênero literário, essencialmente satírico. Se numerosos estudiosos perceberam a relação profunda deste livro com a obra de Luciano de Samósata, poucos, no entanto, analisaram a relação da tradição luciânica com as obras pertencentes ao gênero utópico. Neste artigo, pretendemos analisar a presença, da utopia francesa na obra publicada em 1676, A Terra Austral Conhecida, de Gabriel de Foigny, de elementos que constituem a tradição luciânica. São eles: a dificuldade de classificação genérica devida ao caráter híbrido do texto; o recurso à paródia ou citação de textos anteriores ou contemporâneos do autor; a presença do inverossímil, que dá ao texto um aspecto fantástico; a ambigüidade, que leva o leitor a hesitar quanto à seriedade ou à comicidade do que é enunciado; e, por fim, o recurso ao ponto de vista distanciado do narrador, que permite ao autor analisar com mais acuidade os objetos de sua crítica e que, ao mesmo tempo, funciona como um elemento de persuasão, que tem como objetivo levar o leitor a acreditar na veracidade do relato do pseudoviajante.

Palavras-chave


Gabriel de Foigny; Luciano; utopia; tradição luciânica

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