Dispositivos alteritários na religiosidade transcultural e nos aspectos ecocríticos de São Marcos, de Guimarães Rosa

Jorge Alves Santana

Resumo


O narrador-protagonista do conto São marcos, de Guimarães Rosa, conta-nos, em viés de mise en abyme cautelar, que sua cozinheira Sá Nhá Rita Preta o alertava sobre seu recorrente comportamento preconceituoso e agressivo em relação às tradições de religiosidade/misticismo da região do Calango-Frito. Tradições essas produzidas pela transversalidade entre culturas indígenas, africanas e europeias.  Segundo ele, a cozinheira “não cansava de me dizer: — Se o senhor não aceita, é rei no seu; mas, abusar, não deve-de!” (ROSA, 2001, p. 218). Neste contexto socioestético, refletiremos sobre as violências socioculturais, e suas consequências para manutenção ou deslocamentos de ações e reações práticas que esse personagem ocasiona a um dos feiticeiros mais famosos deste locus, João Mangolô, nos sertões de Minas-Gerais. Produção político-cultural de identidades tidas como estranhas, mobilidades e reconstrução de universos existenciais heterogêneos e conectados, e transculturalidades imersas em dispositivos ecocríticos transformadores do socius performado são os temas de base de nossa proposta de estudo desta narrativa, que também funciona como uma das matrizes para estruturação e funcionalidade do paradigma estético de Rosa.

 


Palavras-chave


Alteridade; Guimarães Rosa; São Marcos; Religiosidade; Transculturas

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DOI: https://doi.org/10.23925/1983-4373.2019i22p90-113

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