A escrita (do) impossível em A hora da Estrela

Yudith Rosenbaum

Resumo


 Esse artigo propõe-se  a discutir  os embates narrativos entre o narrador Rodrigo  S.M e a personagem Macabéa, no romance A hora da estrela, de Clarice Lispector, à luz de uma fundante impossibilidade que rondaria a obra: como dar forma a um ser impossível de ser apreendido pelas palavras? O acesso à Macabéa  se mostra opaco e problemático, do mesmo modo que o próprio narrador se desconhece no processo de desvendar este outro esquivo. A partir dessa premissa, pretende-se observar o jogo em que se movem  narrador,  personagem, escritora e leitor. A "delicada e vaga existência de Macabéa", nas palavras do narrador, acaba por desafiar uma escrita dividida entre o imperativo da expressão verbal e a carência da linguagem. O que resta desse conflito entre o objeto provocativo da escritura e a dificuldade em dizê-lo é, paradoxalmente, um excesso de indagações, hesitações e peripécias narrativas. A presente leitura convoca noções psicanalíticas para compreender algumas faces deste vasto campo de sentidos. 


Palavras-chave


Clarice Lispector; A hora da Estrela;Excesso; Carência;Escrita impossível

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DOI: https://doi.org/10.23925/1983-4373.2019i23p24-41

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