A interpelação do indivíduo em sujeito ou a gramática do sujeito: identidades, desejo e racismo em Judith Butler, Lélia Gonzalez e Grada Kilomba

Ana Caroline Amorim Oliveira, Amanda Gomes Pereira, Marcelo Henrique Gonçalves de Miranda

Resumo


Este ensaio tem como objetivo refletir a interpelação do indivíduo em sujeito (identidades ou identificações). Esse processo se materializa estruturalmente por meio de inteligibilidade em pares dicotômicos excludentes e hierarquizados. Nesse caminho, inicialmente, o foco recaiu em uma releitura da teoria da interpelação de Althusser por Judith Butler. Após abordar a constituição dos processos identitários de forma ampla, assumindo a perspectiva pós-estruturalista em que há a desconstrução da ontologia das identidades como essencialistas e naturais, a atenção se deteve na relação entre desejo e racismo presente no pensamento de autoras feministas negras. Nesse caminho, teve-se como eixo central a resposta de que forma o desejo e o racismo se entrelaçam na construção da subjetividade feminina negra. Lélia Gonzalez possui como tese que o racismo é a neurose cultural brasileira que é uma consequência da negação do racismo no país. O desejo negado pelos corpos negras/os compõe tal negação, bem como, a culpa da branquitude. O próximo ponto destacou Grada Kilomba, que por sua vez, destaca a linguagem como crucial no processo de produção de discursos da branquitude, acerca da negritude – principalmente no que tange a língua portuguesa –, destacando, assim, as violências reproduzidas nas experiências cotidianas de mulheres inseridas em contextos afrodiaspóricos.


Palavras-chave


Interpelação; Identidade; Desejo; Racismo

Texto completo:

PDF

Referências


ALTHUSSER, Louis. Ideologia e Aparelhos Ideológicos de Estado (notas para uma investigação), p.105-142. In: ZIZEK, Slavoj (Org.). Um Mapa da Ideologia. Rio de Janeiro: Contraponto, 2007.

AMBRA, Pedro. O lugar e a fala: a psicanálise contra o racismo em Lélia Gonzalez. In: Sig-Revista de Psicanálise. Ano 8, número 1, jan./jul.2019,p. 85-101. Disponível em: http://sig.org.br/wp-content/uploads/2020/05/Edicao14-Convidado.pdf Acessado em: 10. Out. 2020.

BORGES, Juliana. Encarceramento em massa. São Paulo: Pólen Produção Editorial LTDA, 2019.

BEAUVOIR, Simone de. O segundo sexo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2014.

BHABHA, Homi. O local da cultura. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2005.

BUTLER, Judith. Problemas de gêneros: feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.

BUTLER, Judith. Cuerpos que importan: sobre lós limitesmateriales y discursivos Del “sexo”. Buenos Aires, Barcelona, México: Paidós, 2008.

BUTLER, Judith. A vida psíquica do poder: teorias da sujeição. Belo Horizonte: Autêntica, 2017.

CARDOSO, Claúdia Pons. Amefricanizando o feminismo: o pesamento de Lélia Gonzalez. In: Estudos Feministas, Florianópolis,22(3):320,setembro/dezembro, 2014. p.965-986. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-026X2014000300015 Acessado em: 10.out.2020.

DAVIS, Angela. Estariam as prisões obsoletas? 1ª ed. Rio de Janeiro: Difel, 2018.

GONZALEZ, Lélia. Racismo e sexismo na cultura brasileira. In: Revista Ciências Sociais Hoje, ANPOCS, p. 223-244, 1984. Disponível em: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4584956/mod_resource/content/1/06%20-%20GONZALES%2C%20L%C3%A9lia%20-%20Racismo_e_Sexismo_na_Cultura_Brasileira%20%281%29.pdf Acessado em: 10.out.2020.

GONZALEZ, Lélia. A categoria político-cultural da amefricanidade. In: Tempo Brasileiro. Rio de Janeiro, n.º 92/93 (jan.jul), p. 69-82, 1988. Disponível em: https://negrasoulblog.files.wordpress.com/2016/04/a-categoria-polc3adtico-cultural-de-amefricanidade-lelia-gonzales1.pdf Acessado: 10.out.2020.

DERRIDA, Jacques. Gramatologia. São Paulo: Perspectiva, 2006.

HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A, 2000.

KILOMBA, Grada. Memórias de plantação – Episódios de racismo cotidiano. Rio de Janeiro: Cobogó, 2019.

LOURO, Guacira L. Gênero, Sexualidade e Educação: Uma perspectiva pós-estruturalista. Petrópoles: Vozes, 1997.

OLIVEIRA, Ana Caroline Amorim. Lélia Gonzalez e o pensamento interseccional. In: Revista Interritórios. V. 06, n. 10, p. 89-104, 2020. Disponível em: https://periodicos.ufpe.br/revistas/interritorios/article/viewFile/244895/34866. Acessado em: 10 outubro 2020.

OUTHWAITE, William; BOTTOMORE, Tom (Ed.). Dicionário do pensamento social do século XX. Rio de Janeiro: Zahar, 1996.

WILLIAMS, James. Pós-estruturalismo. Petrópolis: Vozes, 2012.

WOODWARD, Kathryn. Identidade e diferença: uma introdução teórica e conceitual, p. 7-72, In: SILVA, Tomaz Tadeu (Org.) Identidade e diferença: a perspectiva dos estudos culturais. Petrópolis: Vozes, 2013.




DOI: https://doi.org/10.23925/poliética.v8i2.52129

Métricas do artigo

Carregando Métricas ...

Metrics powered by PLOS ALM


Indexadores: LivRe; Sumários.org; Latindex