As inquietações sociais da morte em Hieronymus Bosch

Uma análise da obra "A morte do avarento" (1490–1510)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.23925/2176-4174.37.2026e75256

Palavras-chave:

Hieronymus Bosch, A Morte do Avarento, Ars moriendi, Memento mori, Imaginário medieval, Idade média, Morte

Resumo

Este artigo investiga as inquietações sociais da morte a partir da obra “A Morte do Avarento” (1490–1510), de Hieronymus Bosch, situando-a no contexto de transformações sociais e espirituais que marcaram o século XV. Guerras, epidemias e instabilidade política, aliadas ao fortalecimento das concepções escatológicas do além-túmulo, moldaram um imaginário permeado pelo medo do Inferno e pela esperança do Céu. O estudo busca compreender como a pintura articula elementos simbólicos, teológicos e sociais para representar a morte como espaço de disputa moral e revelação escatológica, reunindo o ambiente histórico de crise, a organização do Além e a iconografia macabra como pedagogia da morte. A metodologia combina revisão bibliográfica, análise relacional de imagens e investigação do imaginário, permitindo interpretar a obra como agente ativo na formação das sensibilidades medievais. Conclui-se que “A Morte do Avarento” não apenas reflete, mas participa da construção do imaginário medieval da morte, tornando visíveis as tensões espirituais e sociais que estruturaram a experiência da cristandade ocidental.

Biografia do Autor

Laura Beatriz Alves de Oliveira, Pontifícia Universidade Católica de Goiás

Doutoranda (2023) em Ciências da Religião, pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Mestra e licenciada em História pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (2022), Pós- Graduada em História da Arte pela Universidade Estácio de Sá (2019). Arquiteta Urbanista (2018) pela Universidade Paulista.

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Publicado

2026-02-22

Como Citar

Oliveira, L. B. A. de. (2026). As inquietações sociais da morte em Hieronymus Bosch: Uma análise da obra "A morte do avarento" (1490–1510). Cordis: Revista Eletrônica De História Social Da Cidade, (37), e75256. https://doi.org/10.23925/2176-4174.37.2026e75256