O território antes do apagamento
Estrutura fundiária escravidão e produção documental do vazio em Nova Friburgo (c. 1750–1839)
DOI:
https://doi.org/10.23925/2176-4174.39.2026e76258Palavras-chave:
Arquivo Colonial, Escravidão, Apagamento TerritorialResumo
Este artigo analisa a formação de Nova Friburgo (c. 1750–1839), questionando o pressuposto historiográfico de que a região constituía um território vazio antes da chegada dos colonos suíços em 1819. A partir do cruzamento sistemático de registros paroquiais, documentos cartoriais, relatórios oficiais e periódicos da época, demonstra-se que o espaço já se encontrava estruturado pela presença indígena (Puris e Coroados), pelo trabalho escravizado e por comunidades quilombolas. O “vazio” é, portanto, interpretado não como realidade histórica, mas como produção discursiva e documental do regime colonial. Amparado nas contribuições de Trouillot, Quijano e Stoler, o estudo sustenta que o próprio arquivo opera como dispositivo de apagamento, registrando seletivamente determinados sujeitos e silenciando outros. Ao ler o arquivo contra sua própria lógica, aponta-se que Nova Friburgo não se funda sobre a ausência, mas sobre a sobreposição violenta de múltiplas formações sociais preexistentes.
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Referências
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