Do sagrado à corrupção
Cor, animalidade e a construção visual de satã na obra de Hieronymus Bosch
DOI:
https://doi.org/10.23925/2176-4174.37.2026e77530Palavras-chave:
Hieronymus Bosch, Iconografia, Satã, Imaginário Medieval, SimbolismoResumo
O presente artigo analisa a construção imagética de Satã na obra de Hieronymus Bosch (1450–1516), investigando de que maneira o artista elabora visualmente o demoníaco mediante repertórios simbólicos profundamente vinculados ao imaginário do século XV e início do XVI. O estudo tem como objetivo compreender como diferentes elementos iconográficos, especialmente a cor azul, a animalidade associada às aves e os processos de deformação e metamorfose corporal, participam da configuração visual do mal em suas composições. Metodologicamente, a pesquisa fundamenta-se em revisão bibliográfica e análise iconográfica, articuladas à compreensão da imagem, do imaginário medieval e dos símbolos como estruturas centrais para a interpretação da linguagem visual boschiana. Os resultados indicam que Bosch não representa Satã por meio de uma iconografia fixa ou tradicional, mas elabora o demoníaco recorrendo à transformação progressiva e à corrupção de elementos anteriormente vinculados ao sagrado. Conclui-se que, em Bosch, o mal não se apresenta como simples oposição ao divino, mas como deformação interna da própria ordem da criação, revelando profundas tensões do imaginário cristão do século XV.
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