Cidade verde, cidade menina

Signos e metáforas de Teresina

Autores

DOI:

https://doi.org/10.23925/2176-4174.39.2026e77558

Palavras-chave:

História, Cidade, Teresina, Representações

Resumo

Este artigo analisa a construção simbólica de Teresina (PI) a partir das metáforas de "Cidade Verde" e "Cidade Menina", compreendendo-as não como meros epítetos descritivos, mas como dispositivos discursivos que articulam história, memória e poder. Inserido no debate sobre as relações entre história e ficção, o texto parte do pressuposto de que as narrativas ficcionais (literárias, musicais e publicitárias) não são reflexos passivos do real, mas práticas que constroem e interrogam a experiência urbana. Mobilizando autores como Walter Benjamin, Georg Simmel e Durval Muniz de Albuquerque Júnior, a investigação confronta fontes documentais (Monsenhor Chaves) com narrativas ficcionais (Francisco de Assis Iglesias, O.G. Rêgo de Carvalho e a canção "Teresina", de Aurélio Melo), demonstrando como a ficção opera como um dispositivo de leitura crítica do presente à luz dos vestígios do passado. A análise evidencia que a personificação da cidade como “verde” e "menina", presente em campanhas institucionais e na produção cultural local, funciona como uma estratégia simbólica de negação do envelhecimento urbano, ao mesmo tempo em que revela as tensões entre o ideal de modernidade e a precariedade material que marcam a história da capital piauiense. Conclui-se que a interação dialógica entre história e ficção não apenas enriquece a compreensão do passado, mas também permite desnaturalizar as imagens que sustentam identidades urbanas, abrindo caminho para uma historiografia atenta às dimensões estéticas e afetivas da experiência do tempo.

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Biografia do Autor

Almerito Francisco Oliveira da Silva, Universidade Federal do Piauí

Mestre em História do Brasil pelo Programa de Pós-Graduação em História do Brasil da Universidade Federal do Piauí (PPGHB/UFPI) e licenciado em História pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI, 2017). Atua nas áreas de História do Brasil, História do Piauí e Cultura Popular. Desenvolveu pesquisa de conclusão de curso (20162017) sobre a manutenção da festa do bumba-meu-boi em Teresina, a partir da metodologia da História Oral, destacando permanências e transformações no trabalho dos mestres desse folguedo. No mestrado (2023-2025), investigou a trajetória e as representações culturais da cantora e compositora Maria da Inglaterra no cenário musical de Teresina, na linha de pesquisa História, Memória e Cidades.

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Publicado

2026-09-21

Como Citar

Silva, A. F. O. da. (2026). Cidade verde, cidade menina: Signos e metáforas de Teresina. Cordis: Revista Eletrônica De História Social Da Cidade, (39), e77558. https://doi.org/10.23925/2176-4174.39.2026e77558