Cidade verde, cidade menina
Signos e metáforas de Teresina
DOI:
https://doi.org/10.23925/2176-4174.39.2026e77558Palavras-chave:
História, Cidade, Teresina, RepresentaçõesResumo
Este artigo analisa a construção simbólica de Teresina (PI) a partir das metáforas de "Cidade Verde" e "Cidade Menina", compreendendo-as não como meros epítetos descritivos, mas como dispositivos discursivos que articulam história, memória e poder. Inserido no debate sobre as relações entre história e ficção, o texto parte do pressuposto de que as narrativas ficcionais (literárias, musicais e publicitárias) não são reflexos passivos do real, mas práticas que constroem e interrogam a experiência urbana. Mobilizando autores como Walter Benjamin, Georg Simmel e Durval Muniz de Albuquerque Júnior, a investigação confronta fontes documentais (Monsenhor Chaves) com narrativas ficcionais (Francisco de Assis Iglesias, O.G. Rêgo de Carvalho e a canção "Teresina", de Aurélio Melo), demonstrando como a ficção opera como um dispositivo de leitura crítica do presente à luz dos vestígios do passado. A análise evidencia que a personificação da cidade como “verde” e "menina", presente em campanhas institucionais e na produção cultural local, funciona como uma estratégia simbólica de negação do envelhecimento urbano, ao mesmo tempo em que revela as tensões entre o ideal de modernidade e a precariedade material que marcam a história da capital piauiense. Conclui-se que a interação dialógica entre história e ficção não apenas enriquece a compreensão do passado, mas também permite desnaturalizar as imagens que sustentam identidades urbanas, abrindo caminho para uma historiografia atenta às dimensões estéticas e afetivas da experiência do tempo.
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