O(s) homens, a doença e a morte no Decamerão de Giovanni Boccaccio
DOI:
https://doi.org/10.23925/2176-4174.37.2026e77603Palavras-chave:
Peste Negra, Crise Moral, Giovanni Boccaccio, DecamerãoResumo
A irrupção da Peste Negra de 1348 assolou o Ocidente Europeu e desencadeou transformações significativas nas dinâmicas sociais, culturais e religiosas do período, exemplificadas pelo colapso das tradicionais práticas de luto e a sensibilidade diante da morte. Dentro dessa perspectiva, neste artigo se propõe analisar como Giovanni Boccaccio construiu a epidemia como um demonstrativo da corrupção da aristocracia e da cristandade, sendo esta o motor do colapso moral da sociedade florentina. Para tanto, o trabalho mobiliza como arrimo empírico a Introdução da obra e novelas selecionadas de O Decamerão, delimitando o recorte temporal entre 1348 e 1353, correspondente ao período de gestação do texto. A partir de uma metodologia analítica centrada nestas passagens específicas, busca-se compreender de que modo o autor elaborou uma trajetória pedagógica e moralizante que utilizava a representação da doença e a reconfiguração das relações entre vivos e mortos para criticar os vícios das elites e a corrupção moral da cristandade, além de propor caminhos de reconstrução social e diminuição do contágio.
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