Tintim no Congo
As desventuras de Hergé no país dos congoleses
DOI:
https://doi.org/10.23925/2176-4174.38.2026e77908Palavras-chave:
Tintim no Congo, Hergé, colonialismo, racismo, naturezaResumo
Este artigo analisa a história em quadrinhos Tintim no Congo, de Hergé, a partir de três eixos articulados: a legitimação política do colonialismo belga, a construção racista das personagens congolesas e a representação instrumental da natureza. Adota-se uma pesquisa qualitativa, bibliográfica e documental, com leitura crítica da narrativa e de seus elementos visuais, confrontados com estudos sobre Hergé, história colonial e representação. Argumenta-se que o álbum não apenas reproduz preconceitos isolados, mas organiza um mundo narrativo em que a autoridade, a racionalidade e a iniciativa pertencem ao europeu, enquanto africanos, animais e território são convertidos em objetos de tutela, comicidade, caça ou exploração. O contexto da Bélgica entre guerras e a inserção profissional de Hergé em um jornal católico conservador ajudam a explicar essa construção, porém não a tornam inevitável nem a isentam de crítica. As revisões editoriais posteriores atenuaram passagens específicas, sem eliminar a hierarquia colonial que estrutura a obra. Conclui-se que a permanência do álbum em circulação pode ter valor histórico e pedagógico desde que acompanhada de contextualização crítica, mediação docente e abertura a perspectivas congolesas e decoloniais.
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