Além da tríade mediterrânea
Alimentação, desigualdade e distinção social no levante meridional (Séculos VIII a.C.–III d.C.)
DOI:
https://doi.org/10.23925/2176-4174.38.2026e77944Palavras-chave:
Tríade Mediterrânea, Levante meridional, Arqueologia da alimentação, Estratificação social, História da AlimentaçãoResumo
Este estudo analisa a produção e o consumo de pão, de derivados da uva e de azeite de oliva no Levante meridional entre o século VIII a.C. e o século III d.C., recorrendo a outras províncias mediterrânicas apenas como termo de comparação externo. Trata-se de revisão narrativa interdisciplinar, que cruza cultura material, fontes escritas do período e literatura nutricional contemporânea segundo critérios de seleção explicitados na metodologia. As fontes reunidas indicam que os cereais forneciam entre 50% e 75% da ingestão calórica diária e que o azeite tinha difusão ampla, ao passo que o vinho fermentado de qualidade aparece associado a contextos de consumo restritos. A tipologia e a distribuição das instalações produtivas sugerem um sistema agrícola orientado à geração de excedente sob controle régio. Os dados reunidos possibilitam a interpretação de que o prestígio alimentar não acompanhava o valor composicional do alimento, visto que a cevada, socialmente desqualificada, apresenta teores de fibra e de proteína superiores aos do trigo refinado. Conclui-se que a expressão “tríade mediterrânea” descreve adequadamente a matriz produtiva regional, mas não a mesa cotidiana da maioria, cuja composição indica correlação estreita com a hierarquia social.
PALAVRAS-CHAVE: Tríade mediterrânea; Levante meridional; Arqueologia da alimentação; Estratificação social; História da alimentação.
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