A matéria e o sagrado
As possibilidades interpretativas da atuação dos "tijolos mágicos" na religião egípcia
DOI:
https://doi.org/10.23925/2176-4174.38.2026e77956Palavras-chave:
Arqueologia Funerária, Egito Antigo, Lama, Morte, Tijolos mágicosResumo
Utilizados com maior frequência a partir do Reino Novo, os denominados “tijolos mágicos” egípcios consistiam em espécies de blocos de argila nos quais eram inscritas passagens do Livro dos Mortos para guiar o morto na trajetória ao pós-vida e sobrepostos amuletos de proteção para que toda a tumba fosse vigiada de acordo com os quatro pontos cardeais. Este artigo argumenta que a composição material desses objetos não era acidental, mas estava diretamente relacionada às concepções egípcias acerca dos ciclos da vida e da morte, às inundações do Nilo e às simbologias associadas à criação do mundo. Para isso, investiga-se a produção e os usos de tal mobiliário funerário a partir das perspectivas da Arqueologia Funerária de modo a demonstrar como a lama empregada em sua fabricação servia como um componente fundamental de sua eficácia ritual. Ao considerar a matéria-prima dos tijolos para além de seu caráter aparentemente mundano e funcional, propõe-se, por fim, uma reflexão sobre as múltiplas formas pelas quais esses objetos poderiam atuar na religião funerária egípcia como um todo.
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