“Um manuscrito, naturalmente”
As dificuldades da pesquisa histórica em O Nome da Rosa de Umberto Eco
DOI:
https://doi.org/10.23925/2176-4174.37.2026e78722Palavras-chave:
Umberto Eco, pesquisa histórica, fontes históricas, crítica documental, O nome da rosaResumo
Este artigo analisa as dificuldades da pesquisa histórica a partir do texto introdutório “Um manuscrito, naturalmente”, do romance O nome da rosa, de Umberto Eco. O objetivo é identificar, no dispositivo ficcional que apresenta a suposta descoberta e transmissão das memórias de Adso de Melk, problemas equivalentes aos enfrentados pelo historiador no trabalho com fontes: localização documental, estabelecimento da proveniência, crítica de autenticidade, tradução, perdas materiais, autoria, lacunas e mediação narrativa. A pesquisa é qualitativa, bibliográfica e interpretativa. O texto de Eco é lido em diálogo com as reflexões de Marc Bloch sobre crítica do testemunho, Jacques Le Goff sobre o documento como monumento e Carlo Ginzburg sobre o paradigma indiciário. Conta também com uma breve análise sobre a memória entre Eco e Benjamin. A exame mostra que a cadeia de cópias, versões e referências incompletas descrita no prólogo impede o acesso direto ao passado e obriga o pesquisador a formular hipóteses controladas por vestígios. Conclui-se que a incerteza não invalida o conhecimento histórico, mas exige transparência quanto ao percurso documental, confronto entre evidências e distinção entre prova, inferência e imaginação.
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Referências
BENJAMIN, Walter. Obras escolhidas II. São Paulo: Brasiliense, 2012.
BLOCH, Marc. Apologia da história ou o ofício de historiador. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.
ECO, Umberto. O nome da rosa. São Paulo: Círculo do Livro, 1992.
GINZBURG, Carlo. Mitos, emblemas, sinais: morfologia e história. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.
LE GOFF, Jacques. História e memória. Campinas: Editora da Unicamp, 2013.
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