“Um manuscrito, naturalmente”

As dificuldades da pesquisa histórica em O Nome da Rosa de Umberto Eco

Autores

DOI:

https://doi.org/10.23925/2176-4174.37.2026e78722

Palavras-chave:

Umberto Eco, pesquisa histórica, fontes históricas, crítica documental, O nome da rosa

Resumo

Este artigo analisa as dificuldades da pesquisa histórica a partir do texto introdutório “Um manuscrito, naturalmente”, do romance O nome da rosa, de Umberto Eco. O objetivo é identificar, no dispositivo ficcional que apresenta a suposta descoberta e transmissão das memórias de Adso de Melk, problemas equivalentes aos enfrentados pelo historiador no trabalho com fontes: localização documental, estabelecimento da proveniência, crítica de autenticidade, tradução, perdas materiais, autoria, lacunas e mediação narrativa. A pesquisa é qualitativa, bibliográfica e interpretativa. O texto de Eco é lido em diálogo com as reflexões de Marc Bloch sobre crítica do testemunho, Jacques Le Goff sobre o documento como monumento e Carlo Ginzburg sobre o paradigma indiciário. Conta também com uma breve análise sobre a memória entre Eco e Benjamin. A exame mostra que a cadeia de cópias, versões e referências incompletas descrita no prólogo impede o acesso direto ao passado e obriga o pesquisador a formular hipóteses controladas por vestígios. Conclui-se que a incerteza não invalida o conhecimento histórico, mas exige transparência quanto ao percurso documental, confronto entre evidências e distinção entre prova, inferência e imaginação.

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Biografia do Autor

Francisco Carlos Ribeiro, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

PÓS-DOUTORADO em História pela PUC-SP (2023). DOUTORADO em História pela PUC-SP (2022). MESTRADO em História pela PUC-SP (2016). ESPECIALIZAÇÃO em Cultura Africana (2019) e em Metodologia de Ensino (1993). GRADUAÇÃO em Filosofia (2012), História (1999), Pedagogia (1989) e Teologia (1985). Tem experiência no ensino de História e Filosofia. 

Yvone Dias Avelino, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Possui Graduação em Ciências Humanas (História) pela Universidade de São Paulo (1959), Mestrado em História Social pela Universidade de São Paulo (1970), Doutorado em História Econômica pela Universidade de São Paulo (1973) e Pós-Doutorado (1989) em História pela PUC-SP. É Titular no Departamento de História da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, onde atua como Docente desde 1971.

Referências

BENJAMIN, Walter. Obras escolhidas II. São Paulo: Brasiliense, 2012.

BLOCH, Marc. Apologia da história ou o ofício de historiador. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.

ECO, Umberto. O nome da rosa. São Paulo: Círculo do Livro, 1992.

GINZBURG, Carlo. Mitos, emblemas, sinais: morfologia e história. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.

LE GOFF, Jacques. História e memória. Campinas: Editora da Unicamp, 2013.

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Publicado

2026-11-04

Como Citar

Ribeiro, F. C., & Avelino, Y. D. (2026). “Um manuscrito, naturalmente”: As dificuldades da pesquisa histórica em O Nome da Rosa de Umberto Eco. Cordis: Revista Eletrônica De História Social Da Cidade, (37), e78722. https://doi.org/10.23925/2176-4174.37.2026e78722