A bandeira de Fernão Dias

Representação, historiografia e memória do bandeirante paulista no romance de Paulo Setúbal

Autores

DOI:

https://doi.org/10.23925/2176-4174.39.2026e78734

Palavras-chave:

Paulo Setúbal, romance histórico, bandeirantes, representação, memória paulista

Resumo

Este artigo analisa o romance histórico A bandeira de Fernão Dias, publicado por Paulo Setúbal em 1928, como fonte para o estudo das representações do passado e da fabricação cultural do bandeirante paulista. Parte-se da compreensão de que a ficção não deve ser interrogada como depósito de informações objetivas sobre o século XVII, mas como documento das escolhas narrativas, sensibilidades, disputas identitárias e expectativas políticas do tempo em que foi produzida. Com base no conceito de representação formulado por Roger Chartier e no debate sobre as relações entre História e Literatura, examinam-se a formação intelectual de Setúbal, a conjuntura paulista da década de 1920, e os procedimentos pelos quais o romance monumentaliza Fernão Dias e seus companheiros. Argumenta-se que a obra combina documentação historiográfica, imaginação romanesca e linguagem épica para converter a violência, a ambição e o sofrimento em provas de energia racial, disciplina patriarcal e vocação territorial. Discute-se ainda a influência de Afonso de Taunay, cuja historiografia documental e atuação no Museu Paulista ofereceram a Setúbal os fatos, os personagens e uma chave heroica de interpretação. Conclui-se que o romance participou de um circuito mais amplo — formado por livros, monumentos, museus, escola e cultura política — que tornou o bandeirante um emblema duradouro de São Paulo.

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Biografia do Autor

Francisco Carlos Ribeiro, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

PÓS-DOUTORADO em História pela PUC-SP (2023). DOUTORADO em História pela PUC-SP (2022). MESTRADO em História pela PUC-SP (2016). ESPECIALIZAÇÃO em Cultura Africana (2019) e em Metodologia de Ensino (1993). GRADUAÇÃO em Filosofia (2012), História (1999), Pedagogia (1989) e Teologia (1985). Tem experiência no ensino de História e Filosofia. Atualmente realiza pesquisas sobre os romances históricos de Paulo Setúbal.

Martin Jayo, Universidade de São Paulo

Professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP).

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Publicado

2026-11-05

Como Citar

Ribeiro, F. C., & Jayo, M. (2026). A bandeira de Fernão Dias: Representação, historiografia e memória do bandeirante paulista no romance de Paulo Setúbal. Cordis: Revista Eletrônica De História Social Da Cidade, (39), e78734. https://doi.org/10.23925/2176-4174.39.2026e78734