Uma concepção é que a gente aprende junto, independente da língua, independente do componente curricular: o stance translíngue de professores em um cenário escolar de migração no sul do Brasil
DOI:
https://doi.org/10.1590/1678-460X202440364105Palavras-chave:
Educação Linguística, Stance Translíngue, Diversidade LinguísticaResumo
Este artigo relata um estudo conduzido na Escola das Pontes, uma escola no sul do Brasil, que recebe estudantes locais, imigrantes e refugiados, principalmente do Haiti e da Venezuela. A investigação se ancora na teoria da translinguagem, que oferece uma abordagem humanizadora, que coloca os estudantes e seus repertórios no centro da aprendizagem, derrubando as barreiras linguísticas tradicionais. Através de uma perspectiva de pesquisa crítica-colaborativa, o estudo investigou o stance translíngue de professores, isto é, a sua orientação em relação à justiça social, em diferentes componentes curriculares durante um encontro de formação de professores. O encontro buscou criar um espaço para que os professores discutissem suas experiências e desafios diários na escola. Os resultados sugerem que esses professores demonstram um stance translíngue em sua prática pedagógica, pois relatam o uso dos repertórios dos estudantes para potencializar o aprendizado de língua e de conteúdo. Isso é observado mesmo antes de sua introdução formal à teoria da translinguagem. Sua abordagem valoriza as formas de conhecimento dos estudantes e promove a diversidade linguística em favor de uma educação significativa. Os relatos dos professores mostram que a aprendizagem em suas salas de aula não é hierárquica, pois professores e alunos aprendem juntos.
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