Multissignificações do verbo pegar: transformações de esquemas imagéticos

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.1590/1678-460X202339253564

Palabras clave:

polissemia, categoria radial, esquema imagético e transformações, verbo pegar

Resumen

Visando identificar se os sentidos do verbo pegar formam uma categoria radial face aos mecanismos sociocognitivos que os motivam, o presente artigo analisa suas ocorrências no corpus D&G do Rio de Janeiro. Primeiro verifica qual é a forma mais recorrente, suas possíveis variações e/ou regularidades por meio do software AntConc 3.5.8. Em seguida, as interpreta qualitativamente no contexto de uso e à luz dos conceitos de categoria radial (Lakoff, 1987), esquemas imagéticos, suas transformações e mapeamentos metafóricos e metonímicos (Johnson, 1987; Lakoff, 1987). Foram encontrados seis grupos de sentido estruturados pelos esquemas MOVIMENTO-TRAJETÓRIA. As extensões derivam da metaforização do esquema OBJETO, das transformações de esquema e consequentes alterações de foco, assim como das metáforas e metonímias que os licenciam, engatilhadas por pistas linguístico-discursivas e contextuais. No centro prototípico encontra-se o pegar objetos em que TRAJETOR É CONTÊINER. Nas radiais mais periféricas, encontram-se o pegar ideias e o pegar orientacional em que IDEIAS SÃO OBJETOS e LOCAL DE CHEGADA É OBJETO, respectivamente. Dentre os sentidos, encadearam-se segurar, agredir, buscar, mover-se no discurso, conjecturar e seguir uma direção.

Biografía del autor/a

Tânia Gastão Saliés, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Professora Associada do Departamento de Estudos de Linguagem e do Programa de Pós-graduação em Letras da UERJ.

Tatiana Goulart Secundino, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Doutoranda do Programa de Pós-graduação e mestre em Linguística pela UERJ.  Professora do Instituto Nacional de Educação de Surdos - INES.

Citas

Aurélio, B.H. (2021) Pegar. In Dicio: dicionário online da língua portuguesa. http://www.dicionariodoaurelio.com/Pegar.html

Batoréo, H. J. (2010). Produtividade lexical, espaços mentais integrados e lexias compostas na língua portuguesa (PE e PB): o que a linguística cognitiva nos ensina sobre língua e cultura? Revista Linguística, 6(2), 1-15. https://revistas.ufrj.br/index.php/rl/article/view/4445

Brugman, C. (1988). The story of over: polysemy, semantics and the structure of the lexicon. [Tese de doutorado]. Universidade da Califórnia, Berkeley. Outstanding dissertations in linguistics series. Garland.

Coelho, C. M. (2013). Construções com o verbo agarrar em português brasileiro e europeu. [Dissertação de mestrado]. Universidade Federal de Uberlândia. https://repositorio.ufu.br/bitstream/123456789/15444/1/Carolina%20Medeiros.pdf

Croft, W., & Cruise, D.A. (2004). Cognitive linguistics. Cambridge University Press. http://dx.doi.org/10.1017/CBO9780511803864

Geeraerts, D. (2006). Where does prototypicality come from? In D. Geeraerts (Ed.), Words and other wonders. Papers on lexical and semantic topics. Cognitive Linguistics Research vol. 33 (pp.27-47). Mouton de Gruyter.

Goldberg, A. E. (1995). A construction grammar approach to argument structure. University of Chicago Press.

Gibbs, R. W., & Colston, H. (1995). The cognitive psychological reality of image schemas and their transformations. Cognitive Linguistics, 6, 347-78. https://doi.org/10.1515/cogl.1995.6.4.347

Houaiss, A., & Villar, M. (2001). Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Objetiva.

Jansegers, M., Vanderschueren, C., & Engels, R. (2015). The polysemy of the Spanish verb sentir: a behavioral profile analysis. Cognitive Linguistics, 26(3), 381- 421. https://doi.org/10.1515/COG-2014-0055

Johnson, M. (2007). The meaning of the body: Aesthetics of human understanding. The University of Chicago Press.

Johnson, M. (1987). The body in the mind: The bodily basis of meaning, imagination, and reason. Chicago University Press.

Kövesces, Z. (2020). Extended conceptual metaphor theory. Cambridge University Press.

Labov, W., & Walesky, J. (1967). Narrative analysis: oral versions of personal experience. In J. Helm (Ed.), Essays on the verbal and visual arts (pp. 12-44). University of Washington Press.

Lakoff, G. (1993). The contemporary theory of metaphor. In A. Ortony (Ed.), Metaphor and thought (pp. 202-251). 2nd ed. Cambridge University Press.

Lakoff, G. (1987). Women, fire and dangerous things. Chicago University Press.

Lakoff, G., & Turner, M. (1989). More than cool reason: A field guide to poetic metaphor. The University of Chicago Press.

Langacker, R. (1987). Foundations of cognitive grammar: Theoretical perspectives. Stanford University Press.

Leite, A. (2011). Um estudo sincrônico do verbo pegar. Cadernos de Estudos Linguísticos da Universidade Federal do Ceará, 3(1), 33-46. https://issuu.com/funcionalismo.em.perspectiva/docs/funcionalismo_em_perspectiva_3

Lewandowka-Tomaszczyk, B. (2007). Polysemy, prototypes, and radial categories. In D. Geeraerts, & H. Cuyckens (Eds.), The Oxford Handbook of Cognitive Linguistics (pp. 139-169). Oxford University Press.

Morotti, R. (2014). O emprego metafórico dos verbos de movimento: o ser humano pensando metaforicamente. Revista Linguagem Acadêmica, 4(1), 69-90.

Pinheiro, D. (2010). Homonímia, polissemia, vagueza: um estudo de caso em semântica lexical cognitiva. Revista Linguística , 6(2), 63-78. http://www.letras.ufrj.br/poslinguistica/revistalinguistica

Radden, G., & Dirven, R. (2007). Cognitive English grammar. John Benjamins Publishing.

Ribeiro, R. P. (2004). A expansão de sentidos do verbo ficar e os mecanismos responsáveis pela organização cognitiva de suas significações. Revista Eletrônica do Instituto de Humanidades, 2(8). http://publicacoes.unigranrio.edu.br/index.php/reihm/article/view/437/429

Secundino, T.G. (2018). Delírios do verbo pegar: transformações de esquemas em corpora de língua falada e escrita. [Dissertação de mestrado em linguística]. Universidade do Estado do Rio de Janeiro. https://www.bdtd.uerj.br:8443/handle/1/6214

Sardinha, T.B. (2004). Linguística de corpus. Manole.

Silva, L. A. (2016). Construções idiomáticas com o verbo pegar: uma abordagem sociocognitiva. Scripta, 20(40), 286-306. https://doi.org/10.5752/P.2358-3428.2016v20n40p307

Sigiliano, N. S. (2008). Eu peguei e falei: eu vou!: as noções de movimento e mudança nas construções com o verbo pegar. Estudos Linguísticos 37(1), 243-251.

Soares da Silva, A. (2018). Polissemia na mente, na cultura e no discurso: para uma abordagem cognitiva mais dinâmica e contextualizada da individuação, relação e mudança de sentidos. In A. Almeida, & E. Santos (Eds.), Linguística cognitiva. Redes de conhecimento d’aquém e d’além mar (pp. 161-18). EDUFBA: Editora da Universidade Federal da Bahia.

Soares da Silva, A. (2010). Polissemia e contexto: o problema duro da diferenciação de sentidos. Estudos Linguísticos, 5, 353-367. http://fabricadesites.fcsh.unl.pt/clunl/wp-content/uploads/sites/12/2018/02/5z1-augusto-silva.pdf

Soares da Silva, A. (2003). Image schemas and category coherence: The case of the Portuguese verb deixar. In H. Cuyckens, R. Dirven, & J.R. Taylor (Eds), Cognitive approaches to lexical semantics. Cognitive linguistics research vol. 23 (pp. 281-322). Mouton de Gruyter.

Szwedeck, A. (2002). Objectification: From object perception to metaphor creation. In K. Lewandowska-Tomaszczyk, & K. Turewicz (Eds.), Cognitive linguistics today (pp. 159-175). Peter Lang.

Szwedeck, A. (2011). The ultimate source domain. Review of Cognitive Linguistics , 9(2), 341-366. https://doi.org/10.1075/rcl.9.2.01szw

Sweetser, E. E. (1990). From etymology to pragmatics. Metaphorical and cultural aspects of semantic structure. Cambridge University Press. https://www.researchgate.net/publication/300834111_11_Cross-linguistic_polysemy_in_tactile_verbs

Talmy, L. (2000). Toward a cognitive semantics, vol. 1. MIT Press.

Talmy, L. (1988). Force dynamics in language and cognition. Cognitive Science, 12, 49-100. https://doi.org/10.1207/s15516709cog1201_2

Travaglia, Luiz Carlos. (1985). O aspecto verbal no português: a categoria e sua expressão. 5ª. Edição (pp.49-54). EdUF.

Turner, M. (1996). The literary mind. Oxford University Press.

Publicado

2023-09-30

Cómo citar

Saliés, T. G., & Secundino, T. G. (2023). Multissignificações do verbo pegar: transformações de esquemas imagéticos. DELTA: Documentação E Estudos Em Linguística Teórica E Aplicada, 39(2). https://doi.org/10.1590/1678-460X202339253564