A utopia da linguagem em A Caverna, de José Saramago

Luciana Alves dos Santos

Resumo


Este artigo tenciona discutir a literatura como linguagem utópica a partir do romance A Caverna, de José Saramago. Partimos do conceito de utopia como não-lugar, ou seja, fora da existência e fruto do imaginário. Nesse sentido, podemos arriscar em dizer que toda utopia é ficcional. O homem necessita de utopias porque sofre da falta permanente do espaço outro – utópico – e busca suprir essa falta do espaço impossível no trabalho do imaginário, que se realiza em grau máximo na práxis literária. Vale lembrar que criar é dar existência a algo. Por isso, a utopia se vê realizada no espaço ficcional, visto não mais como representação, mas como presença. Ao abordar o ato de criar como fundador de uma nova possibilidade de existência, o romance sugere a concepção do literário como projeto utópico da linguagem que não se vale da representação do espaço / objeto outro, mas da própria palavra reveladora da dimensão do impossível lugar.

Palavras-chave


literatura; linguagem; utopia; José Saramago

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