Kalevala: a utopia da narrativa primordial

Carolina Alves Magaldi

Resumo


O período Romântico foi caracterizado, em larga medida, pelos esforços em se associar língua e literatura aos ideais de povo e nação. Essa noção, baseada inicialmente nas teorias dos pensadores do movimento alemão Sturm und Drang, em particular de Herder, desencadearam uma busca por poemas e canções orais que viessem a representar culturas populares e, consequentemente, legitimar esforços de fundamentação nacional. É nesse contexto que propomos uma análise do épico nacional finlandês Kalevala. Publicado inicialmente em 1839 como resultado de incursões às regiões mais remotas da Finlândia, nas quais ainda se falava o finlandês, o poema foi organizado a partir de poemas e canções populares pelo médico e estudioso de gramática Elias Lönnrot. A proposta era organizar as canções em ordem cronológica, isto é, partir da recorrência de personagens e eventos nas canções coletadas reconstituir a narrativa original da qual todos os fragmentos teriam sido derivados. O impacto da publicação foi imenso: o finlandês passou a ser ensinado nas escolas, o poema inspirou as maiores obras artísticas finlandesas do século XIX, na pintura, escultura e música, além de ter inaugurado oficialmente a literatura finlandesa. Contemporaneamente o poema ainda é o tema do único feriado nacional finlandês e é tema de gravações de música rock e pop, além de filmes, peças de teatro e obras das artes plásticas. Nesse sentido, a Kalevala finlandesa exemplifica não só os intuitos nacionalistas do movimento Romântico, como também a busca utópica da narrativa primordial em um fenômeno que vem sendo reconstruído até os dias atuais.

Palavras-chave


Kalevala; Romantismo; narrativa primordial

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