ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA: A VOZ DE UM NARRADOR MUITO ANTIGO

Camila Rocha Muner

Resumo


Estranhamento. Definitivamente essa é a sensação imediata provocada pela leitura de José Saramago. Em parte porque sua escritura subverte regras com as quais todo leitor parece acostumado, como aquela, das mais previsíveis até, imposta pela pontuação; em parte porque a maneira de contar do narrador parece se aproximar a de um velho contador de histórias, como aqueles que a tradição cristalizou, o que ocasiona um vai-e-vem revelador de uma pluralidade de pontos de vista e de julgamentos, que fazem, por exemplo, do romance Ensaio sobre a cegueira, material um tanto experimental, por um lado, e recuperador de uma certa poética da oralidade, baseada nos antigos contadores de histórias, por outro. Entretanto, as mesmas características que, a priori, constituem o poder da escritura saramaguiana, também geram certo desconforto nos leitores mais habituados à leitura linear, como aquela ocasionada pelo uso habitual e previsto dos sinais de pontuação, que nesse autor serão subvertidos totalmente. Assim, o artigo aponta para a impossibilidade de ler Saramago fora da noção de escritura, e que o como dizer, tão defendido pelo autor, deve ser lido como característica de sua produção e marca da oralidade pessoal de seu autor.

Palavras-chave


José Saramago; Ensaio sobre a cegueira; escritura; voz

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