Literatura em estado de infância
autoria e experiência em A casa do alto
DOI:
https://doi.org/10.23925/1983-4373.2026i36p97-114Palavras-chave:
Maria Gabriela Llansol, Escrita coletiva, Corp’a’screver, Palavra começante, Escola da Rua de NamurResumo
A partir da experiência da Escola da Rua de Namur, em Lovaina, na Bélgica, Maria Gabriela Llansol registra, em A casa do alto (2019), uma escrita em que convivência e texto se implicam, tornando indeterminável o que passa da educação à escrita e vice-versa. Este artigo analisa a obra como experiência estética e relacional, a partir de Walter Benjamin (1994), Giorgio Agamben (2008), Jorge Larrosa (2015) e Maurice Blanchot (2001), incorporando a leitura crítica de Maria Carolina Fenati (2022). Sustenta-se que a escrita coletiva do livro instaura um modo de criação em que a linguagem se faz por meio de gesto e partilha, em que o corpo antecede o sentido (corp’a’screver) e a palavra se reabre como começo (palavra começante). Ao deslocar o foco da escrita na norma e acolher grafias, sonoridades e imagens, a obra afirma a infância como condição da linguagem e a literatura como direito de iniciar.
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