A voz é o que está no meio
infância, linguagem e imaginação
DOI:
https://doi.org/10.23925/1983-4373.2026i36p5-18Palavras-chave:
Giorgio Agamben, Walter Benjamin, Experimentum linguae, Imagens dialéticas, FabulaçãoResumo
Este artigo propõe uma reflexão filosófica sobre a infância a partir de Walter Benjamin (2009; 2011; 2013) e Giorgio Agamben (2005; 2007; 2015; 2017), compreendendo-a não como etapa do desenvolvimento humano, mas como experiência da linguagem. A partir de cenas com crianças, mobilizadas como imagens dialéticas, investiga-se a infância como experimentum linguae: uma relação com a linguagem não reduzida à representação ou à comunicação. Nesse contexto, a voz aparece como medialidade que expõe a linguagem em sua dimensão sensível e corporal. Em diálogo com a noção benjaminiana de semelhanças não-sensíveis, o texto aproxima a experiência infantil de uma lógica da fabulação e da metamorfose, na qual palavra, corpo e mundo permanecem em relação. Argumenta-se, assim, que a infância guarda a memória de uma linguagem não instrumental, cuja escuta abre espaço para outras formas de imaginar e habitar o mundo.
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