Segregação racial em Belo Horizonte: o que mudou em mais de uma década?

Autores/as

Palabras clave:

desigualdade, segregação racial, habitação, planejamento urbano

Resumen

Belo Horizonte, a primeira capital brasileira planejada com um Plano Diretor, apresenta particularidades na formação de seu território e na (re)produção das desigualdades. A segregação urbana, influenciada por fatores históricos e práticas habitacionais, permanece como uma realidade. Este artigo analisa as dinâmicas espaciais da segregação racial entre 2010 e 2022, com base nos censos demográficos. Foram desenvolvidos três índices: Índice de Segregação (ISS), Índice de Concentração Absoluta (ACO) e Índice de Agrupamento Absoluto (ACL). Os resultados indicam que a segregação racial persiste, com a população negra ainda afastada do centro e mais concentrada nas franjas urbanas. O estudo reforça a importância dos censos demográficos na análise das desigualdades e na formulação de políticas públicas voltadas para a questão racial.

Biografía del autor/a

Ana Paula Vasconcelos Gonçalves, Universidade Federal de Minas Gerais

Professora Adjunta do departamento de Sociologia e docente permanente no Programa de Pós-Graduação em sociologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). É doutora em Sociologia pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos - IESP/UERJ, mestre em Pesquisas Sociais e Estudos Populacionais pela Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE/IBGE), bacharel e licenciada em Ciências Sociais pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Integrante do Programa Intensivo de Metodologia (MQ/UFMG). Tem experiência nas áreas de metodologia de pesquisa, métodos quantitativos, sociologia urbana, desigualdades, estratificação, trabalho e violência.

Julia Celia Mercedes Strauch, Universidade Federal Fluminense

Possui graduação em Engenharia Cartográfica pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1986), mestrado em Ciências Geodésicas pela Universidade Federal do Paraná (1990) e doutorado em Engenharia de Sistemas e Computação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1998). Atualmente é professora adjunta da Universidade Federal Fluminense e pesquisadora titular da Escola Nacional de Ciências Estatísticas. Tem experiência nas áreas de Geociências e Engenharia de Sistemas, com ênfase em base de dados geográficos e suas aplicações em análises espaciais, atuando principalmente nos seguintes temas: criação de indicadores para políticas públicas, estatística espacial, e infraestrutura de dados espaciais

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Publicado

2026-02-09

Cómo citar

Gonçalves, A. P. V., & Mercedes Strauch, J. C. (2026). Segregação racial em Belo Horizonte: o que mudou em mais de uma década?. Cadernos Metrópole, 28(65). Recuperado a partir de https://revistas.pucsp.br/index.php/metropole/article/view/71128

Número

Sección

Tematico 65: Censos demográficos y la investigación urbana