Por que não ocupar?: periferias em disputa pelo território urbano.

Autores/as

Palabras clave:

Ocupações urbanas, Territorialização, Subjetividades insurgentes, Cartografia dos Afectos, Direito à cidade

Resumen

O artigo discute as ocupações urbanas como formas de ação política que emergem quando a institucionalidade falha em garantir direitos básicos e enfrentar o abandono de vidas e territórios nas cidades brasileiras. A partir da Cartografia dos Afectos e referenciais da filosofia da diferença, analisa a Ocupação Kilombo Urbano Canto de Conexão, em Pelotas/RS, evidenciando como as ocupações produzem micropolíticas ativas e modos autogestionados de habitar, territorializando afectos e subjetividades insurgentes que reposicionam as periferias como espaços estratégicos de disputa e reativação territorial. A tensão entre institucionalidades e insurgências cotidianas revela que a política também se realiza na reinvenção de modos de vida que confrontam a lógica urbana financeirizada e excludente, o déficit habitacional e a multiplicação de imóveis ociosos.

Descargas

Los datos de descargas todavía no están disponibles.

Métricas

Cargando métricas ...

Biografía del autor/a

Bárbara Hypolito, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Doutora em Planejamento Urbano e Regional - PROPUR/UFRGS.
Mestra em Urbanismo Contemporâneo - PROGRAU/UFPEL.

Citas

AGÊNCIA PÚBLICA. (2023). Censo 2022: Brasil tem 11 milhões de casas e apartamentos vagos. Pública – Agência de Jornalismo Investigativo, 28 jun. 2023. Dados obtidos do IBGE e da Fundação João Pinheiro, padronizados e analisados com Google Sheets. Disponível em: https://apublica.org/2023/06/censo-2022-brasil-tem-11-milhoes-de-casas-e-apartamentos-vagos/#Censo. Acesso em: set. 2025.

ARANTES, O. (2009). “Uma estratégia fatal: a cultura nas novas gestões urbanas.” In: ARANTES, O.; VAINER, C.; MARICATO, E. (orgs.). A cidade do pensamento único: desmanchando consensos. 5ª ed. Petrópolis, Vozes.

BOULOS, G. (2012). Por que ocupamos?: uma introdução à luta dos sem-teto. São Paulo, Scortecci.

BRASIL. (1988). Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF, Presidência da República. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: set. 2025.

BRASIL. (2001). Lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001. Regulamenta os arts. 182 e 183 da Constituição Federal, estabelece diretrizes gerais da política urbana e dá outras providências. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 11 jul. 2001. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10257.htm. Acesso em: jan. 2024.

CARRASCO, A. O. T. (2017). Pelotas: urbanização periférica e desigualdade. Oculum Ensaios. Campinas, v. 14, n. 3, pp. 595-611.

DELEUZE, G. (2000 [1968]). Diferença e repetição. Trad. L. Orlandi; R. Machado. Lisboa, Relógio d’Água.

DELEUZE, G. (2017 [1968]). Espinosa e o problema da expressão. Trad. GT Deleuze. Coord. L. B. L. Orlandi. São Paulo, Editora 34.

DELEUZE, G.; GUATTARI, F. (1992). O que é a filosofia? Trad. B. Prado Jr.; A. A. Munoz. Rio de Janeiro, Editora 34.

DELEUZE, G.; GUATTARI, F. (1995 [1980]). Mil platôs – Capitalismo e esquizofrenia, vol. 1. São Paulo, Editora 34.

DELEUZE, G.; GUATTARI, F. (1997 [1980]). Mil platôs – Capitalismo e esquizofrenia, vol. 4. Rio de Janeiro, Editora 34.

DELEUZE, G.; PARNET, C. (1998 [1977]). Diálogos. Trad. E. A. Ribeiro. São Paulo, Escuta.

DIÁRIO POPULAR (DP). (2023). Dados divulgados na matéria “15% dos domicílios em Pelotas estão desocupados.” Diário Popular. Pelotas, 8 jul. 2023. Disponível em: https://diariopopular.com.br/geral/15_dos_domicilios_em_pelotas_estao_desocupados__.528318. Acesso em: jan. 2024.

ESPINOZA, B. de. (2007 [1677]). Ética. Trad. T. Tadeu. Belo Horizonte, Autêntica.

FOUCAULT, M. (1979). Microfísica do poder. Rio de Janeiro, Graal.

FOUCAULT, M. (2007 [1969]). A arqueologia do saber. Rio de Janeiro, Forense Universitária.

FUNDAÇÃO JOÃO PINHEIRO. (2023). Déficit habitacional no Brasil 2022. Relatório. Belo Horizonte, Fundação João Pinheiro.

GUATTARI, F.; ROLNIK, S. (2011 [1986]). Micropolítica – Cartografias do desejo. Petrópolis, Vozes.

GUIZZO, I. (2008). Micropolíticas urbanas: uma aposta na cidade expressiva. Dissertação de Mestrado. Niterói, UFF, Instituto de Ciências Humanas e Filosofia.

HAESBAERT, R. (2019). O mito da desterritorialização: do “fim dos territórios” à multiterritorialidade. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil.

HARDT, M.; NEGRI, A. (2016). Bem-estar comum. Trad. C. Marques. Rio de Janeiro, Record.

[AUTOR, 2024]

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). (2022). Censo Brasileiro de 2022. Rio de Janeiro, IBGE.

JACQUES, P.; BRITO, F. D. (2008). “Corpografias urbanas: relações entre o corpo e a cidade.” In: LIMA, E. F. W. (org.). Espaço e teatro: do edifício teatral à cidade como palco. Rio de Janeiro, 7Letras.

KASTRUP, V.; PASSOS, E.; ESCÓSSIA, L. (orgs.) (2010). Pistas do método da cartografia: pesquisa-intervenção e produção de subjetividade. Porto Alegre, Sulina.

LEFEBVRE, H. (2001). O direito à cidade. Trad. R. E. Frias. São Paulo, Centauro.

LIMA SILVEIRA, R. L.; ECKEL MACHADO, B.; KOHLS SCHWANZ, A. (2024). Cidades médias, gestão pública territorial e centralidades regionais no Rio Grande do Sul – Brasil. Revista Brasileira de Gestão e Desenvolvimento Regional. v. 20, n. 1.

MARICATO, E. (2000). “As ideias fora do lugar e o lugar fora das ideias.” In: ARANTES, O.; VAINER, C.; MARICATO, E. A cidade do pensamento único: desmanchando consensos. Petrópolis, Vozes.

MBEMBE, A. (2016). Necropolítica. In: BARTHOLOMEU, C.; TÁVORA, M. L. (orgs.). Arte & Ensaios. n. 32. Rio de Janeiro, PPGAV/EBA/UFRJ, pp. 122-151.

NEGRI, A.; GUATTARI, F. (2017 [1985]). As verdades nômades: por novos espaços de liberdade. Trad. M. A. Marino; J. Viel. São Paulo, Autonomia Literária e Politeia.

NEGRI, A.; HARDT, M. (2005). Multidão. Trad. C. Marques. Rio de Janeiro, Record.

PELOTAS. (2023). Lei nº 7.206, de 13 de setembro de 2023. Concede o título de Instituição Emérita à Ocupação Kilombo Urbano Canto de Conexão. Diário Oficial de Pelotas. Pelotas, RS.

PELOTAS. (2014). Plano Local de Habitação de Interesse Social. Pelotas, Prefeitura Municipal de Pelotas.

RIBEIRO, A. C. T. (2006). A cidade neoliberal: crise societária e caminhos da ação. OSAL – Observatorio Social de América Latina. Año VII, n. 21, pp. 23-32.

ROCHA, E. (2010). Arquiteturas do abandono: ou uma cartografia nas fronteiras da arquitetura, da filosofia e da arte. Tese de Doutorado. Porto Alegre, UFRGS.

ROLNIK, R. (2015). Guerra dos lugares: a colonização da terra e da moradia na era das finanças. São Paulo, Boitempo.

ROLNIK, S. (2011). Cartografia sentimental: transformações contemporâneas do desejo. São Paulo, Estação Liberdade.

ROLNIK, S. (2018). Esferas da insurreição: notas para uma vida não cafetinada. São Paulo, n-1.

SOUTO, S. (2020). Aquilombar-se: Insurgências negras na gestão cultural contemporânea. In: Revista Metamorfose, vol. 4, nº 4, pp. 133-144, jun de 2020.

VELLOSO, R. (2020). De/descolonizar o urbano, insurreição nas periferias: notas de pesquisa. Redobra. n. 15, ano 6, pp. 153-176.

VILLAÇA, F. (2012). Reflexões sobre as cidades brasileiras. São Paulo, Studio Nobel.

Publicado

2026-09-03

Cómo citar

Hypolito, B. (2026). Por que não ocupar?: periferias em disputa pelo território urbano. Cadernos Metrópole, 28(67), e6774099. Recuperado a partir de https://revistas.pucsp.br/index.php/metropole/article/view/74099

Número

Sección

Artigos