PERMANÊNCIA DE ESTUDANTES POBRES NAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS BRASILEIRAS: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA

Márcia Kelma de Alencar Abreu, Verônica Morais Ximenes

Resumo


As políticas afirmativas através da Lei de Cotas 12.711/2012 ampliaram a democratização do acesso ao ensino superior público no Brasil, otimizando a entrada de estudantes pobres, negros, indígenas e pessoas com deficiência. Esse artigo analisa as implicações psicossociais da pobreza para a permanência estudantil nas universidades públicas. Realizou-se uma revisão sistemática a partir de 16 artigos, 22 dissertações e 10 teses nas bases de dados Scielo e BDTD (Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações). Os trabalhos são, em sua maioria, do campo da educação (54,16%), a abordagem qualitativa de pesquisa é predominante (58,33 %) e os estudantes prevaleceram como participantes das investigações (52, 8%). As categorias analíticas foram construídas com o auxílio do Software Atlas Ti 5.2 e configuradas em macrocategorias: permanência material; permanência simbólica (dimensões pedagógica e cultural); estratégias de enfrentamento e vivências de opressão. A Lei de Cotas e demais políticas afirmativas possibilitaram a democratização do acesso, porém aspectos que permeiam a permanência precisam ser evidenciados em novas pesquisas. A contribuição dessa investigação consistiu em dar visibilidade aos aspectos subjetivos e psicossociais da pobreza nos trabalhos analisados.

Palavras-chave


Ensino superior; Estudantes universitários; Pesquisa educacional; Pobreza, Psicossocialização

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DOI: https://doi.org/10.5935/2175-3520.20200003

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