Mulheres quilombolas e medicalização social

compreensões sobre a colonização de corpos negro

Autores

DOI:

https://doi.org/10.23925/2594-3871.2026v35i1e61528

Palavras-chave:

Mulheres negras, Mulheres quilombolas, Saúde mental, Medicalização da vida, Medicalização social

Resumo

O aumento crescente no consumo de psicotrópicos no Brasil revela um fenômeno que atinge diversas camadas da população, mas se faz mais acentuado entre as mulheres com transtornos mentais comuns, quadros intrinsecamente associados às condições de vida, como sobrecarga doméstica e vulnerabilidade social, as quais se apresentam em maior percentual na população negra do Brasil. Esse trabalho se propõe a investigar as histórias de vida e as experiências de mulheres negras de uma comunidade quilombola do sertão da Bahia que fazem ou fizeram uso de psicotrópicos. Sob a perspectiva dos feminismos negros e anticoloniais, a partir de uma pesquisa de método qualitativo que utiliza as narrativas das mulheres, com o intuito de investigar a partir da voz de quem vivencia essa experiência. Os resultados apontam as condições de vida, a sobrecarga de trabalho, as feridas coloniais e as violências domésticas como motivadores associados à prescrição. Entre os efeitos do uso de medicamentos estão a melhoria na qualidade do sono, mas também apatia, falta de motivação e amnésia. Neste cenário, a coletividade e solidariedade entre as mulheres, bem como a valorização dos saberes ancestrais, como o uso de ervas, se apresentam como estratégias de resistência.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Métricas

Carregando Métricas ...

Referências

Alves, A. M., Santana, M. P., Gama, I. C. S., Parduci, N. V., Larroque, M. M., & Luchesi, B. M. (2022). Impactos da ausência do Núcleo de Apoio à Saúde da Família no contexto da pandemia de COVID-19. Revista Brasileira Medicina Família e Comunidade, 17(44), 1-8. https://doi.org/10.5712/rbmfc17(44)3033

Amarante, P., & Freitas, F. (2017). Medicalização em Psiquiatria. Editora Fiocruz.

Ávila, M. B., & Ferreira, V. (2014). Trabalho produtivo e reprodutivo no cotidiano das mulheres brasileiras. In M. B. Ávila & V. Ferreira (Eds.), Trabalho remunerado e trabalho doméstico no cotidiano das mulheres (pp. 13–50). SOS Corpo.

Bispo, A. S. (2015). Colonização, Quilombos: modos e significações. INCTI/UnB.

Brasil. Senado Federal. (2021). Relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia da Covid-19. Senado Federal. https://download.uol.com.br/files/2021/10/3063533630_relatorio_final_cpi_covid.pdf

Costa, M. C., & Dimenstein, M. (2017). Cuidado psicossocial em saúde mental em contextos rurais. Trends in Psychology, 25(4).

Nogueira, T. P. C. C. R. (2017). Mucama permitida: A identidade negra do trabalho doméstico no Brasil. Cadernos de Gênero e Diversidade, 3(4), 47–58. https://doi.org/10.9771/cgd.v3i4.22482

Curiel, O. (2020). Construindo metodologias feministas a partir do feminismo decolonial. In H. B. Holanda (Ed.), Pensamento feminista hoje: Perspectivas decoloniais (pp. 121–138). Bazar do Tempo. (Trabalho original publicado em 2014)

Dalgalarrondo, P. (2019). Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Artes Médicas do Sul.

Dantas, C. M. B., Dimenstein, M., Leite, J. F., Torquato, J., & Macedo, J. P. (2018). A pesquisa em contextos rurais: desafios éticos e metodológicos para a psicologia. Psicologia & Sociedade, 30. https://doi.org/10.1590/1807-0310/2018v30165477

Gomes, S. M. et al. (2018) O SUS fora do armário: concepções de gestores municipais de saúde sobre a população LGBT. Saúde e Sociedade, 27(4), 1120-1133. https://doi.org/10.1590/S0104-12902018180393

Gonzalez, L. (2020). Mulher negra. In F. Rios & M. Lima (Eds.), Por um feminismo afro-latino-americano (pp. 94–111). Zahar.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. (2023). Censo Demográfico 2022: Primeiros resultados de população e domicílios. https://www.ibge.gov.br

Kilomba, G. (2019). Memórias da plantação: Episódios de racismo cotidiano (J. Oliveira, Trad.). Cobogó.

Lugones, M. (2019). Rumo a um feminismo decolonial. In H. B. Holanda (Ed.), Pensamento feminista: Conceitos fundamentais (pp. 357–377). Bazar do Tempo. (Trabalho original publicado em 2010)

Mazzini Marcondes, M. (2012). A divisão sexual dos cuidados: do welfare state ao neoliberalismo. Argumentum, 4(1), 91-107.

Brasil. Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. (2023). Nota informativa nº 1/2023 MDS/SNCF: As mulheres negras no trabalho de cuidado. MDS. https://www.mds.gov.br/webarquivos/MDS/Secretarias/SNCF/Arquivos/Nota%20Informativa%20N1%2022.03.23.pdf

Moysés, M. A. A., & Collares, C. A. L. (2013). Controle e medicalização da infância. DESIDADES — Revista Científica da Infância, Adolescência e Juventude, 0(1). https://doi.org/10.54948/desidades.v0i1.2456

Nogueira, T. P. C. C. R. (2017). Mucama permitida: A identidade negra do trabalho doméstico no Brasil. Cadernos de Gênero e Diversidade, 3(4), 47–58. https://doi.org/10.9771/cgd.v3i4.22482

Quijano, A. (2005). Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In A. Quijano (Ed.), A colonialidade do saber: Eurocentrismo e ciências sociais — perspectivas latino-americanas (pp. 117–142). CLACSO.

Ribeiro, T. D. S., & Pereira, G. D. S. (2022). Mulher negra no trabalho de cuidado e doméstico no Brasil. Perspectivas Sociais, 8(1), 1–18. Recuperado de https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/percsoc/article/view/22609

Santos, J. C. G. dos, Cavalcante, D. S., Vieira, C. A. L., & Quinderé, P. H. D. (2023). Medicalização do sofrimento psíquico na Atenção Primária à Saúde em um município do interior do Ceará. Physis: Revista De Saúde Coletiva, 33, e33010. https://doi.org/10.1590/S0103-7331202333010

Silva, R. A., Moura, R. P. S., & Santos, A. C. H. (2021). Narrativas (des)construídas como tarefa política da pesquisa participativa decolonial. Revista de Psicologia, 12(2), 147-160. https://doi.org/10.36517/revpsiufc.12.2.2021.11

Silva, D. F. L., Lyra, T. M., Silva, J. B. R., & Faustino, D. M. (2023). Para além do Racismo Institucional? Uma análise do conteúdo da Política de Saúde para a População Negra. Ciência & Saúde Coletiva, 28(9), 2527–2535. https://doi.org/10.1590/1413-81232023289.11602022

Soares, C. C. M., & Jorge, G. L. S. (2021). A memória afro diaspórica feminina como metodologia para pesquisa em educação. Revista Práxis Educacional, 17(48), 78-94. https://doi.org/10.22481/praxisedu.v17i48.9269

Vieira, E. M. (2002). A medicalização do corpo feminino. Fiocruz.

Werneck, J., Mendonça, M., & White, E. C. (Eds.). (2000). O livro da saúde das mulheres negras: Nossos passos vêm de longe. Pallas; Criola

Whitaker, R. (2017). Anatomia de uma epidemia: pílulas mágicas, drogas psiquiátricas e o aumento assombroso da doença mental. Fiocruz.

Zanello, V., & Silva, R. M. (2012). Saúde mental, gênero e violência estrutural. Revista Bioética, 20(2), 267-279.

Downloads

Publicado

2026-07-10

Como Citar

Palma, L. M., & Dantas, C. M. B. (2026). Mulheres quilombolas e medicalização social: compreensões sobre a colonização de corpos negro. Psicologia Revista, 35(1), 99–121. https://doi.org/10.23925/2594-3871.2026v35i1e61528

Edição

Seção

Relatos de Pesquisa Empírica