Marcas (in)visíveis
mulheres, vulnerabilidades, violências e transgeracionalidade
DOI:
https://doi.org/10.23925/2594-3871.2025v34i2p319-345Palavras-chave:
Violência, Mulheres, Vulnerabilidade, Relações Familiares, Assistência SocialResumo
O conceito de vulnerabilidade não se limita ao acesso à renda, ele também repercute em outras diversas esferas da vida. A violência interpessoal é uma das repercussões possíveis das vulnerabilidades vivenciadas pela população, e reconhecida por organismos internacionais como um tema de relevância social, mundial e de saúde pública. Essa tipologia de violência pode ocorrer de duas formas: intrafamiliar ou comunitária. Com método qualitativo de estudos de casos múltiplos e delineamento transversal, este estudo realizou entrevistas com oito mulheres atendidas em Centros de Referência de Assistência Social de uma cidade na região metropolitana do sul do Brasil, buscando conhecer suas vivências de violências interpessoais transgeracionais e atuais. A análise dos resultados foi realizada pela triangulação de dados e síntese dos casos cruzados. Os resultados demonstram que as situações violentas vivenciadas são desde as intrafamiliares até as comunitárias, atravessando gerações. Evidencia-se a ausência de redes de suporte nas vivências de violência e a dificuldade em encontrar espaços que possibilitem a construção de novos cotidianos.
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