Cardiopatia infantil: implicações na relação entre mãe e filho

Barbara Reze

Resumo


Os impactos de uma afecção somática grave na infância têm fortes reper­cussões, tanto na organização psíquica da criança quanto na forma como ela se relaciona com sua mãe.  Este trabalho baseia-se na constatação de que a vivência psíquica associada a uma cardiopatia é a de um sofrimento conjunto e intenso da mãe e da criança, organizando um tipo de relação específica entre ambas. Discuto como esta relação, denominada “dupla cardíaca”, pode se constituir como a estratégia de vida possível aos dois sujeitos ante o sofrimento trazido pela patologia cardíaca grave. Analiso como a instalação desse vínculo fusional transitório pode permitir um fortalecimento subjetivo através do compartilhar mútuo do sofrimento, possibilitando que mãe e criança dêem sentido à situação traumática inaugurada pela doença. Esse tipo de vínculo é o que promove a contenção do excesso de carga afetiva ao qual ambos estão expostos ante as angústias desencadeadas pela ameaça da vida da criança. Discuto como a “dupla cardíaca”, enquanto mecanismo relacional, pode ser entendida em sua positividade e em seu caráter criativo e funcional. Representa um tipo de organização subjetivo-relacional que desempenha uma função protetora para a vida psíquica da mãe e da criança, facilitando o enfrentamento da situação extrema de doença, a (re)significação da imagem da criança e a construção de perspectivas futuras.


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