Deus como "luz" no Cristianismo e no Islã: literatura comparada e teologia da Revelação

Marcial Maçaneiro

Resumo


Resumo: Este artigo examina os textos sacros em que Deus é nomeado Luz, no Cristianismo (Bíblia) e no Islã (Alcorão), como expressão literário-teológica do monoteísmo abraâmico. Do ponto de vista literário, parte-se do contexto de solarização das divindades médio-orientais e egípcias, com seus registros, para se abordar as páginas bíblicas e corânicas em que Deus recebe atributos de luminosidade, brilho e esplendor, como Luz. Essa literatura é analisada a partir do uso análogo ou metafórico da luz como qualidade divina, mediante abordagem comparada de textos bíblicos e corânicos. Dentre dezenas de citações, destacam-se textos sapienciais, proféticos, joaninos e paulinos, da Bíblia; bem como as Suras que se referem à luminosidade solar e divina, especialmente o Verso da Luz (Sura 24,35) – que é um poema. Do ponto de vista teológico, explicitam-se as questões hermenêuticas dos referidos textos para a teologia da Revelação no Cristianismo e no Islã, indo-se da linguagem (o falar de Deus) à ontologia (o ser de Deus). Tal exame busca subsídio em comentadores dos textos sacros, especialmente aqueles que tratam do Nome divino da Luz, como o Pseudo-Dionísio e Schökel, Al-Gazali e Al-Razi, entre outros. À conclusão, nota-se a argumentação pendular entre afirmação e negação de Deus como luz nos dois Credos, por via mística (a Luz como acesso ao Deus abscôndito) ou por via dialética (a Luz como metáfora do Deus relevado).

Palavras-chave: Nomes de Deus. Luz. Revelação. Cristianismo. Islã.


Palavras-chave


Nomes de Deus. Luz. Revelação. Cristianismo. Islã.

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DOI: https://doi.org/10.23925/2236-9937.2020v20p250-279

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