Por uma Formação Docente Inclusiva
A Linguagem Matemática como Eixo Transversal na Construção de Práticas Equitativas
DOI:
https://doi.org/10.23925/2358-4122.74535Palavras-chave:
Linguagem Matemática, Formação de Professores, Educação Inclusiva, EquidadeResumo
Este artigo defende a linguagem matemática como um eixo transversal e estratégico na formação de professores para a construção de práticas pedagógicas verdadeiramente inclusivas e equitativas. Partindo do reconhecimento do papel social da matemática – frequentemente utilizada como instrumento de seleção e legitimação de desigualdades –, argumenta-se que a linguagem matemática tradicional, centrada em notações simbólicas abstratas, atua como uma das principais barreiras à participação e à aprendizagem. Propõe-se, então, uma mudança de perspectiva fundamental: em vez de tratar a linguagem apenas como critério de exclusão, é preciso ampliá-la e ressignificá-la, incorporando de modo intencional a linguagem natural, as representações visuais, os gestos, os materiais concretos e as experiências corporais como vias válidas, complementares e, muitas vezes, necessárias para a expressão e construção do pensamento matemático. Com base em autores como Valero, Moschkovich e Radford, discute-se a importância de uma abordagem multimodal que não apenas enriqueça o ensino, mas também atenda a diferentes estilos cognitivos e a necessidades específicas, como as de estudantes com deficiência ou em contextos de vulnerabilidade social, materializando o compromisso com a equidade. Por fim, sustenta-se que a formação docente, entendida como um processo contínuo, coletivo e politicamente orientado, deve preparar o professor como um arquiteto de percursos multimodais. Isso implica desenvolver, preferencialmente em Comunidades de Prática – desde que apoiadas por condições institucionais concretas –, a capacidade de planejar com escolhas linguísticas intencionais, antecipar barreiras e criar múltiplos e específicos caminhos de acesso ao conhecimento. Conclui-se que incluir de forma crítica a discussão sobre a linguagem matemática inclusiva na formação é um alicerce indispensável para transformar a matemática em um direito efetivo e acessível de todos, e não em um privilégio de poucos.Referências
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