O narrador em Cidade de Deus a partir de Adorno

Rosemari Sarmento

Resumo


O artigo investiga o ponto de vista do narrador na obra Cidade de Deus (LINS, 1997) a partir do ensaio A posição do narrador no romance contemporâneo de Theodor Adorno (1974), no qual o filósofo discute os contornos do romancista e de sua obra no curso do desenvolvimento que remonta ao século XIX, até chegar ao século XX. No ensaio, Adorno formula uma espécie de tipologia sobre o romance e seus procedimentos narrativos, além de explicitar o percurso e as transformações ocorridas, articulando-as com seus processos históricos, evidenciando, assim, o caráter do narrador. Situa o romance desde sua forma inicial e tradicional até a contemporânea, cujo momento específico não admitiria mais espaço para o narrador épico que, distanciado do seu objeto, seria capaz de testemunhar suas vivências. Partindo desse ponto e dessa premissa, analisa-se e constata-se, em Cidade de Deus, um narrador (e autor) que se encontra inserido no contexto histórico (e agudo) de sua narrativa, cujo ponto de vista é interno e embutido na matéria retratada – mas que não adere a ela – sendo, portanto, um mediador entre a realidade reportada e a matéria tratada.

Palavras-chave


Adorno, Cidade de Deus, narrativa contemporânea, posição do narrador.

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