Onde as borboletas não habitam
entre o arquivo e a ficção
DOI:
https://doi.org/10.23925/1983-4373.2026i36p226-246Palavras-chave:
Literatura infantojuvenil, Luciane Bonace Lopes Fernandes, Campos de concentração, Dessubjetivação, ResistênciaResumo
A obra infantojuvenil Onde as borboletas não habitam (2022), de Luciane Bonace, propõe um modelo discursivo que aspira à pluralidade, a partir da fronteira entre arquivo e ficção. A pergunta colocada é como a obra habita esse espaço intervalar e resiste ao impasse da narração do horror do universo concentracionário nazista. Sustenta-se que a ficção transforma a maneira de organizar e de tornar dizíveis os acontecimentos passados nos campos de concentração. É pelo potencial ficcional que se inscreve, no arquivo, um movimento de abertura, fazendo do documento um ponto de partida para a criação de outras possibilidades de interpretação do passado. O artigo tem como aporte teórico os estudos de Rancière (2009; 2021) sobre o conceito de ficção e as formulações de Derrida (2001) acerca do arquivo. Verifica-se, no romance de Fernandes, a arte como gesto de sustentação ou criação de subjetividade frente à dessubjetivação imposta pelo regime nazista.
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