O papel de Émilie du Châtelet na história da evolução do conceito de vis viva
DOI:
https://doi.org/10.23925/2178-2911.2025v32p28-45Palavras-chave:
Émilie du Châtelet, Força viva, Energia cinéticaResumo
Esta pesquisa analisa as contribuições de Émilie du Châtelet para a consolidação do conceito de vis viva, termo precursor da energia cinética. A pesquisa evidencia como suas interpretações conceituais e experimentais fortaleceram a defesa da concepção leibniziana frente às críticas cartesianas. Os resultados mostram que sua atuação foi decisiva e permite, dentro do contexto historiográfico, a abrangência de novas possibilidades didático-pedagógicas. Neste sentido, esta pesquisa justifica-se pela necessidade de resgatar as contribuições de Émilie em defesa da concepção leibniziana e a sua disposição em enfrentar críticos renomados adeptos das concepções cartesianas. Assim, o objetivo é destacar as interpretações conceituais e experimentais de Émilie na construção do conceito da força viva. Para tanto, analisamos o tratamento dado por Newton (1687), Leibniz (1686) e Jean Bernoulli (1667-1748). A pesquisa adota uma abordagem qualitativa e historiográfica com base em fontes primárias e secundárias, enfatizando as principais demonstrações algébricas e experimentais. Dessa forma, partimos da hipótese de que a atuação da marquesa foi crucial na interpretação de experimentos, resultando em um elo decisivo entre a força viva leibniziana e a energia cinética moderna. Como resultado, destacamos a relevância deste material na percepção da marquesa na evolução histórica e transição conceitual da força viva para energia cinética, permitindo o seu devido reconhecimento e expandindo as possibilidades de abordagens didático-pedagógicas.
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