Fungos e Bioenergia: uma revisão histórica e epistemológica para o Ensino de Ciências
DOI:
https://doi.org/10.23925/2178-2911.2026v33espp829-858Palavras-chave:
Biobateria, história da ciência, ensino de Ciências, epistemologia, sustentabilidadeResumo
Diante da crise energética e das mudanças climáticas, torna-se urgente explorar soluções sustentáveis e educar para uma ciência socialmente relevante. Os fungos, embora historicamente associados à alimentação e à medicina, vêm sendo aplicados em tecnologias inovadoras, como as pilhas biológicas, com potencial para geração de bioenergia. No entanto, essa trajetória histórica permanece pouco abordada no ensino de Ciências. Este trabalho apresenta uma revisão teórica e histórica sobre o uso de fungos na produção de energia, desde práticas empíricas e fermentações ancestrais até o desenvolvimento contemporâneo de biocélulas com fungos eletrogênicos. A metodologia consistiu em revisão bibliográfica em bases científicas e documentos históricos clássicos, como as obras de Louis Pasteur. Os resultados evidenciam registros milenares de uso micológico, incluindo práticas religiosas e medicinais no Egito e na Grécia antiga, até as contribuições de cientistas modernos. Com base nessa reconstrução, o estudo propõe caminhos para inserir esse conhecimento nos currículos escolares, por meio de propostas didáticas interdisciplinares e experimentações acessíveis. A abordagem histórica e epistemológica dos fungos como fonte bioenergética contribui para um ensino mais crítico, contextualizado e alinhado aos princípios da educação científica para a sustentabilidade.
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