O que os alunos pensam sobre ciência e etnociência? Caminhos para a valorização da diversidade cultural na escola
Pathways to promoting cultural diversity in schools
DOI:
https://doi.org/10.23925/2178-2911.2026v33espp1373-1401Palavras-chave:
Ensino de ciências, Educação intercultural, Conhecimentos préviosResumo
Este trabalho apresenta os resultados de uma investigação que analisou as concepções de estudantes do 3º ano do Ensino Médio sobre ciência e etnociência, como etapa inicial de uma proposta didática articulada à História da Ciência brasileira e aos saberes indígenas Kaingang, apoiada na educação CTS. A partir de uma abordagem qualitativa, foram aplicados questionários antes e depois de atividades desenvolvidas em sala de aula, integrando o conteúdo de fermentação alcoólica à etnociência indígena. Os resultados evidenciam a predominância de visões tradicionais sobre ciência, frequentemente limitadas à ideia de um saber universal, neutro e exclusivamente produzido em laboratórios. No entanto, após as intervenções pedagógicas, observou-se o surgimento de compreensões mais amplas e críticas, reconhecendo a existência de outras formas de fazer ciência, como aquelas presentes em práticas ancestrais indígenas. O planejamento didático valorizou o diálogo entre diferentes epistemologias, promovendo reflexões sobre a não neutralidade da ciência e os impactos socioambientais da produção tecnológica. Ao integrar práticas tradicionais Kaingang, como o preparo de bebidas fermentadas, o Ensino de Química foi ampliado e enriquecido com base na interculturalidade e na valorização da História da Ciência brasileira. Nessa perspectiva, a intervenção ressaltou episódios como: o preparo da bebida kiki, tradicionalmente produzida a partir do pinhão; o uso de ervas medicinais e chás para fins terapêuticos; a produção e aplicação de corantes naturais; a utilização de venenos para caça e pesca e o processo de desenvenenamento da mandioca. Esses exemplos foram trabalhados em sala por meio de leituras, debates, experimentação investigativa e análise crítica de textos de divulgação científica, aproximando os estudantes de saberes que historicamente foram marginalizados, mas que fazem parte da trajetória da ciência no Brasil. Assim, a História da Ciência brasileira foi compreendida para além da tradição ocidental, reconhecendo os povos indígenas como protagonistas na produção de conhecimentos que antecederam e influenciaram práticas científicas posteriores.
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