Abordagem psicossocial das remoções urbanas: uma análise a partir do caso Tabor

Autores

DOI:

https://doi.org/10.23925/ls.v25i46.54219

Palavras-chave:

Remoções Urbanas, Rio Aricanduva, Pesquisa-Ação Participante, Psicologia Social.

Resumo

Partindo da aproximação da Psicologia Social com o campo dos estudos urbanos, essa pesquisa buscou compreender a dimensão subjetiva de um processo de remoção urbana na Zona Leste de São Paulo. Essa ação envolveu o reassentamento de cerca de 900 famílias que viviam às margens do rio Aricanduva, sob o pretexto de retirá-las de uma área com riscos causados por enchentes. A partir de uma pesquisa-ação participante que envolveu trabalho de campo, constatou-se que o processo de remoção, mesmo extinguindo os danos de alagamentos, criou outras fontes de risco, como questões de subsistência e de permanência no novo conjunto habitacional. A condução do projeto não envolveu a participação efetiva da comunidade do Tabor em sua formulação e implementação e, ao não considerar elementos da realidade social do território e de seus moradores, promoveu rupturas e gerou formas de desgaste e sofrimento.

Biografia do Autor

Nicolas François Cohen, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Estudante de graduação em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Faculdade de Ciência Humanas e da Saúde (São Paulo, SP, Brasil)

Egeu Gomez Esteves, Universidade Federal de São Paulo

Psicólogo formado pela USP, Doutor em Psicologia Social pela USP, Professor da Unifesp, Campus Zona Leste, Instituto das Cidades (São Paulo, SP, Brasil)

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Publicado

2022-05-08