DE QUE SOCIAL SOMOS FEITOS: DISCURSO EDUCATIVO E SEUS EFEITOS DE VERDADE

Ana Beatriz Coutinho Lerner, Paula Fontana Fonseca

Resumo


Este artigo apresenta alguns fundamentos teóricos acerca da relação dialética entre indivíduo e sociedade para discutir os efeitos de verdade das operações discursivas da escola na produção da subjetividade e na formação dos sintomas que têm expressão no campo escolar. Partimos de conceitos oriundos do campo da Sociologia – mais especificamente dos trabalhos de Pierre Bourdieu – estabelecendo um diálogo com a teoria psicanalítica acerca da constituição do sujeito e do laço com o outro pela via do discurso. A partir de nossa experiência, observamos uma relação não necessariamente linear entre os determinantes sociais, a saber: classe social, condições socioeconômicas e estrutura familiar, o lugar que a criança ocupa no discurso dos educadores e os efeitos subjetivos da experiência escolar para cada aluno. Para ilustrar esta hipótese, apresentamos fragmentos de duas situações de intervenção a partir do arcabouço teórico-técnico da Psicanálise com crianças de escolas públicas que apresentaram impasses em seu processo de escolarização.

Palavras-chave


Educação; Psicanálise; Discurso; Social; Sujeito

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DOI: https://doi.org/10.5935/2175-3520.20200007

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