A interpretação de sonhos na terapia daseinsanalítica

Análise de sonho de uma moça sendo perseguida

Autores

DOI:

https://doi.org/10.23925/2594-3871.2025v34i2p251-269

Palavras-chave:

Psicoterapia, Daseinsanalyse, Sonhos, Medard Boss

Resumo

Na terapia daseinsanalítica, desenvolvida por Medard Boss, os sonhos têm um papel central. Apesar disso, têm sido muito pouco discutidos a literatura. O objetivo deste artigo é apresentar a proposta de manejo clínico de fenômenos oníricos na terapia dessa abordagem. Para isso, inicia com os fundamentos da compreensão desses fenômenos, para, em seguida, mostrar a proposta de Boss de uso dos sonhos na terapia. Para ilustrar a discussão, recorre a um sonho relatado por uma paciente nascida e crescida num contexto sócio-histórico de repressão à sexualidade, que, em terapia comigo, narra uma situação em que corria o risco de ser estuprada. É feita uma análise do sonho à luz dos fenômenos que aparecem na clareira de mundo e como ela se comporta em relação a eles. Em seguida, essa análise é utilizada para explorar as orientações de Medard Boss para uso dos sonhos na terapia.

Biografia do Autor

Paulo Eduardo Rodrigues Alves Evangelista, Universidade Federal de Minas Gerais

Professor do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), do Programa de Pós-Graduação em Psicologia e do Curso de Especialização em Psicologia Clínica (pós lato senso) na mesma universidade. Doutor em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela USP, Mestre em Filosofia e graduado em Psicologia pela PUC-SP. Tem experiência na área de Psicologia Clínica, com ênfase em psicologia fenomenológico-existencial e Daseinsanalyse, trabalhando como psicoterapeuta desde 2002 e supervisor clínico desde 2005. Pesquisa Fenomenologia Existencial, Daseinsanalyse, Psicoterapia e Psicopatologia Fenomenológicas e Plantão Psicológico.

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Publicado

2026-01-27

Como Citar

Evangelista, P. E. R. A. (2026). A interpretação de sonhos na terapia daseinsanalítica: Análise de sonho de uma moça sendo perseguida. Psicologia Revista, 34(2), 251–269. https://doi.org/10.23925/2594-3871.2025v34i2p251-269

Edição

Seção

Artigos Teóricos