A interpretação de sonhos na terapia daseinsanalítica
Análise de sonho de uma moça sendo perseguida
DOI:
https://doi.org/10.23925/2594-3871.2025v34i2p251-269Palavras-chave:
Psicoterapia, Daseinsanalyse, Sonhos, Medard BossResumo
Na terapia daseinsanalítica, desenvolvida por Medard Boss, os sonhos têm um papel central. Apesar disso, têm sido muito pouco discutidos a literatura. O objetivo deste artigo é apresentar a proposta de manejo clínico de fenômenos oníricos na terapia dessa abordagem. Para isso, inicia com os fundamentos da compreensão desses fenômenos, para, em seguida, mostrar a proposta de Boss de uso dos sonhos na terapia. Para ilustrar a discussão, recorre a um sonho relatado por uma paciente nascida e crescida num contexto sócio-histórico de repressão à sexualidade, que, em terapia comigo, narra uma situação em que corria o risco de ser estuprada. É feita uma análise do sonho à luz dos fenômenos que aparecem na clareira de mundo e como ela se comporta em relação a eles. Em seguida, essa análise é utilizada para explorar as orientações de Medard Boss para uso dos sonhos na terapia.
Referências
Bergoffen, D. (2020). The eternal feminine. In: Weiss, G., Murphy, A. V., Salamon, G. 50 Concepts for a Critical Phenomenology. Illinois: Northwestern University Press, p.121-126.
Binswanger L. (2013). Sonho e existência - Escritos sobre Fenomenologia e Psicanálise. Rio de Janeiro: Via Verita.
Boss, M. (1957). The analysis of dreams. London: Rider.
Boss, M. (1963). Psychoanalysis & Daseinsanalysis. (L. Lefebre, trad.). new York / London: Basic Books.
Boss, M. (1979). Na Noite Passada Eu Sonhei... São Paulo: Summus; 1979.
Boss, M. (1985). Sonhar e psicoterapia. Revista da Associação Brasileira de Daseinsanalyse, 6, p. 5-20. São Paulo: Associação Brasileira de Daseinsanalyse.
Boss, M. (1994). Existential Foundations of Medicine & Psychology. New Jersey/London: James Aronson Inc.
Campos, C. H., Machado, L. Z., Nunes, J. K., Silva, A. R. (2017). Cultura do estupro ou cultura antiestupro?. Revista Direito GV, 13(3), 981–1006. DOI: https://doi.org/10.1590/2317-6172201738
Craig E. (1993). Remembering Medard Boss. The Humanistic Psychologist, 21(3), p. 258-276. DOI: http://dx.doi.org/10.1080.08873267.1993.9976923
Conselho Nacional de Saúde – CNS (2016). Normas aplicáveis a pesquisas em Ciências Humanas e Sociais. Disponível em: https://conselho.saude.gov.br/revistas-cns/92-comissoes/conep/normativas-conep/644-instancia-chs-conep#:~:text=A%20Resolu%C3%A7%C3%A3o%20CNS%20n%C2%BA%20510%2F2016%20disp%C3%B5e%20normas%20aplic%C3%A1veis,maiores%20do%20que%20os%20existentes%20na%20vida%20cotidiana. Acessado em 21 mai. 2024.
Critelli, D. M. (1996). Analítica do sentido: uma aproximação e interpretação do real de orientação fenomenológica. São Paulo: EDUC / Brasiliense.
Dallazen, L., Giacobone, R. V., Macedo, M. M. K. & Kupermann, D. (2012). Sobre a ética em pesquisa na psicanálise. Psico, 43(1). Disponível em: https://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/revistapsico/article/view/11098
Dastur F, Cabestan P. (2015). Daseinsanalyse: Fenomenologia e Psicanálise. Rio de Janeiro: Via Verita.
Freud, S. (1905/2016). Análise fragmentária de uma histeria. (O Caso Dóra). Três ensaios sobre a teoria da sexualidade, análise fragmentária de uma histeria (“O caso Dora”) e outros textos (1901-1905) (Obras Completas, v. 6). 11ª ed. São Paulo: Companhia das Letras. Pp. 173-320.
Griffin, S. (1975) Rape: The All-American Crime. In: Freeman, J. (Ed.). Women: A Feminist Perspective. California: Mayfield Publishing Company.
Heidegger, M. (2012). Ser e tempo. Petrópolis-RJ: Vozes.
Heidegger, M. & Boss, M. (2009). Seminários De Zollikon. Protocólos. Diálogos. Cartas. 2ª ed. Petrópolis: Vozes.
Holzhey-Kunz, A. (2018). Daseinsanálise: O olhar filosófico-existencial sobre o sofrimento psíquico e sua terapia. Rio de Janeiro: Via Verita.
Milhorim, T. K., Casarini, K. A. & Comin, F. S. (2013). Os sonhos nas diferentes abordagens psicológicas: apontamentos para a prática psicoterápica. Revista da SPAGESP, 14(1), p. 79-95. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&
pid=S1677-29702013000100009&lng=pt&tlng=pt
Santos, G.A. O. (2008). Realizando o imaginário: da concepção sartreana sobre os sonhos à uma clínica existencial do sonhar. Psicologia em Revista, 14(1), p. 235-250. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1677-11682008000100013&lng=pt&tlng=pt
Santos, Í. P. (2004). Fenomenologia do onírico: A gestalt-terapia e a daseinsanálise. Psicologia: ciência e profissão, 24(1), p. 36-43. DOI: https://doi.org/10.1590/S1414-98932004000100005.
Sousa, R. F. (2017). Cultura do estupro: prática e incitação à violência sexual contra mulheres. Revista Estudos Feministas, 25(1), 9–29. DOI: https://doi.org/10.1590/1806-9584.2017v25n1p9
Spiegelberg H. (1972). Phenomenology in psychology and psychiatry: a historical introduction. Illinois: Northwestern University Press.
Stajner-Popovic T. (2001). ‘Disguise or consent: Problems and recommendations concerning the publication and presentation of clinical material’ by Glen O. Gabbard and the editorial by David Tuckett. The International Journal of Psychoanalysis, 82(2), 415-424. DOI: https://doi.org/10.1516/JX3R-Y29Y-7CKV-JQ6N
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2023 Paulo Eduardo Rodrigues Alves Evangelista

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.











