Memórias das experiências sexuais infantis
Reflexões sobre brincadeiras, táticas e violência
DOI:
https://doi.org/10.23925/2594-3871.2026v35i1e70159Palavras-chave:
sexualidade, infância, violência sexual, direitos sexuais, narrativas de vidaResumo
Este estudo investigou os sentidos atribuídos por adultos às experiências sexuais, violentas e não violentas, vividas na infância. Fundamentado na compreensão da sexualidade como dimensão constitutiva do desenvolvimento humano, o trabalho problematiza o silenciamento social que associa a infância à assexualidade. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, realizada com 11 participantes adultos de cidades interioranas de Goiás e Mato Grosso do Sul, por meio de entrevistas abertas analisadas à luz da perspectiva bakhtiniana. Os resultados indicam predominância de experiências não violentas, relacionadas à curiosidade, à ludicidade e à descoberta do corpo entre pares, vividas, em geral, de forma clandestina. Entretanto, também emergiram relatos de abuso sexual, majoritariamente no contexto intrafamiliar, associados a sofrimento psíquico e efeitos traumáticos duradouros. Conclui-se que o silenciamento da sexualidade infantil contribui para a vulnerabilidade das crianças, reforçando a necessidade de espaços de escuta, mediação adulta e educação sexual que promovam proteção e desenvolvimento saudável.
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