Recepção estética e deslocamento semântico-teológico da obra de Homero

Autores

  • Alex Villas Boas

DOI:

https://doi.org/10.19143/2236-9937.2016v4n7p265-277

Resumo

A obra de Homero constitui verdadeira “bíblia” dos gregos, atendendo a necessidade de uma busca de sentido no momento em que a sociedade está em crise, tornando-se o poeta o “educador dos gregos”. Contudo, na crítica de Levinas, os regimes totalitários são advindos pelo solipsismo da meditação do Ser, sendo o modelo de Ulisses, que voltando para Ítaca, sempre volta ao “Mesmo”, diferente do modelo de Abraão, que se lança a um caminhar de uma promessa, que parte e convida a ir em direção do Outro. Entretanto, um olhar mais atento na obra homérica é capaz de identificar duas teologias, uma teodiceia que justifica a guerra de Tróia por vontade divina, na Ilíada, e outra que se apresenta como aquilo que chamamos de teopatodiceia, ou seja, como busca de sentido, presente na Odisseia, na medida em que o herói descobre na volta para Ítaca, o auxílio de Atenas, indicando a busca da sabedoria apreendida de uma visão teológica, tal qual a sabedoria da literatura judaica e cristã. Nosso trabalho será identificar o deslocamento semântico teológico na obra homérica, enquanto pergunta pelo sentido de Deus na busca de sentido humana, na metamorfose das imagens teológicas que conjuga linguagem e práxis.

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Publicado

2014-12-07